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CAPÍTULOS, VERSÍCULOS EM CADA LIVRO DA BÍBLIA

 Neste artigo, vamos explorar a organização dos capítulos e versículos na Bíblia, entender sua importância e refletir sobre como essa divisão pode impactar nossa leitura espiritual.

A Bíblia é composta por um total de 1.189 capítulos, dos quais 929 pertencem ao Antigo Testamento e 260 ao Novo Testamento.

Quanto aos versículos, são 31.106 no total, sendo 23.148 no Antigo Testamento e 7.958 no Novo Testamento.

        Estes números podem variar ligeiramente entre diferentes traduções. Por exemplo, a versão Almeida Revista e Atualizada contém 31.105 versículos, uma diferença que ocorre devido a alterações como a divisão do final de 1 Samuel 20:42 em um versículo adicional (43), algo que não acontece em outras edições mais recentes. Já na Almeida Revista e Corrigida, há também diferenças, como no final de Juízes 5:31, que é transformado no versículo 32 na Almeida Revista e Atualizada. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) apresenta um total de 31.103 versículos, enquanto a versão King James (1611) tem ainda menos, com 31.102, porque combina os versículos 14 e 15 de 3 João.

        De acordo com estudiosos da Bíblia como Orlando Boyer e Antônio Gilberto, algumas edições da Bíblia chegaram a incluir 31.173 versículos (23.214 no Antigo Testamento e 7.959 no Novo Testamento). Contudo, ao longo das várias impressões e revisões, ocorreram ajustes que resultaram em pequenas variações nos números finais. Atualmente, as Bíblias em português apresentam ligeiras diferenças dependendo da tradução utilizada.


O ANTIGO TESTAMENTO Números de Capítulos e Versículos

Livro   

Cap

Ver

Livro   

Cap

Ver

 

Gênesis

50

1.533

Eclesiastes

12

222

 

Êxodo

40

1.213

Cantares    

8

117

 

Levítico  

27

859

Isaías        

66

1.292

 

Números

36

1.288

Jeremias   

52

1.364

 

Deuteronômio

34

959

Lamentações

5

154

 

Josué

24

658

Ezequiel      

48

1273

 

Juízes

21

619

Daniel       

12

357

 

Rute

4

85

Oséias       

14

197

 

1Samuel

31

811

Joel             

3

73

 

2Samuel

24

695

Amós           

9

146

 

1Reis

22

817

Obadias       

1

21

 

2Reis

25

719

Jonas          

4

48

 

1Crônicas

29

942

Miquéias     

7

105

2Crônicas

36

822

Naum         

3

47

Esdras

10

280

Habacuque 

3

56

Neemias

13

406

Sofonias                  

3

53

Ester

10

167

Ageu 

2

38

42

1.070

Zacarias   

14

211

Salmos

150

2.461

Malaquias

4

55

Provérbios

31

915

 

 

 

            

Totais Capítulos 929 Versículos 23.148.

O NOVO TESTAMENTO Números de Capítulos e Versículos

Livro               

Cap.  

Ver.

Livro               

Cap.   

Ver.

Mateus

28

1.071

1Timóteos

6

113

Marcos

16

678

2Timóteos

4

83

Lucas

24

1.151

Tito

3

46

João

21

879

Filemom

1

25

Atos

28

1.007

Hebreus

13

303

Romanos

16

433

Tiago

5

108

1Coríntios

16

437

1Pedro

5

105

2Coríntios

13

256

2Pedro

3

61

Gálatas

6

149

1João

5

105

Efésios

6

155

2João

1

13

Filipenses

4

104

3João

1

15

Colossenses

4

95

Judas

1

25

1Tesssalonise

5

89

Apocalipses

22

405

2Tesssalonise

3

47

 

 

 

Totais NT Capítulos 260 Versículos 7.958

Totais AT Capítulos 929 Versículos 23.148

Sub. Totais: capítulos 1.189 versículos 31.106. (ARC).

ESTUDAREMOS AGORA HOMOLOGOMENA



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OS LIVROS DO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO ACEITOS POR TODOS

Introdução

A Bíblia apresenta menções diversas ao nome "Jeremias", que não se restringem apenas ao profeta autor do livro homônimo. Entre outros, encontramos: um príncipe da tribo de Manassés; guerreiros que apoiaram Davi em Ziclague; um cidadão de Lobna, pai de Amital; e um recabita chamado Jeremias, filho de Habsanias e pai de Jezanias. Esse exemplo demonstra que a Bíblia reúne múltiplos indivíduos com nomes semelhantes, nem todos correspondendo ao profeta Jeremias do Antigo Testamento.

A Extensão do Cânon do Novo Testamento

A formação do cânon do Novo Testamento envolveu debates sobre a aceitação de determinados livros pela Igreja primitiva. A maior parte das escrituras foi aceita sem objeções e chamada de homologoumena, ou seja, livros cuja canonicidade era reconhecida por todos os Pais da Igreja. Entre os 27 livros do Novo Testamento, 20 são considerados homologoumena; os sete restantes — Hebreus, Tiago, 2º Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse — não tiveram aceitação unânime, sendo omitidos por alguns, mas não questionados.

Livros Homologados

Os livros homologados foram incorporados desde o início nas principais traduções e cânones da Igreja primitiva, servindo como referência para a fé cristã e liturgia.

Historiadores e Teólogos da Evolução do Cânon

Flávio Josefo (37–103 d.C.)

Historiador judeu que registrou eventos sobre leis, guerras e revoltas do povo de Israel. Em suas obras — Antiguidades Judaicas, Guerra dos Judeus e Contra Apião —, Josefo reconheceu apenas os 22 livros do cânon hebraico e mencionou a existência de livros apócrifos.

Orígenes (185–254 d.C.)

Teólogo e filósofo cristão de Alexandria, autor de obras como Hexapla e Contra Celso. Orígenes defendia a liberdade de especulação sobre assuntos não centrais à fé e introduziu ideias sobre a restauração universal de todos os seres. Foi considerado herege post mortem no Concílio Ecumênico de 553.

Eusébio de Cesaréia (263–340 d.C.)

Bispo e historiador, autor da História Eclesiástica, obra fundamental para o conhecimento dos primeiros séculos da Igreja Cristã.

Irineu de Lyon (130–202 d.C.)

Bispo e teólogo que defendeu a autenticidade dos Evangelhos, citando testemunhas como Justino Mártir e Inácio. Desenvolveu a teoria da recapitulação, explicando a obra redentora de Cristo.

Jerônimo (345–420 d.C.)

Especialista em hebraico, traduziu a Vulgata latina e adotou uma posição rigorosa contra os livros apócrifos, sendo o primeiro a usar explicitamente esse termo. No prólogo aos livros de Samuel e Reis, listou os 22 livros inspirados do cânon hebraico, seguindo o padrão original.

“Se alguém quiser ler os apócrifos, que o faça apenas como contos maravilhosos, sem buscar nas doutrinas a verdade” (Jerônimo).

Divergências Católicas

A inclusão de escritos adicionais no cânon começou com Agostinho (354–430 d.C.). A Igreja Católica, seguindo seu exemplo, incorporou esses livros no Concílio de Cartago (397 d.C.) e consolidou a decisão no Concílio de Trento (1546 d.C.). Contudo, nem todos os escritos foram aceitos: a Oração de Manassés e 1 e 2 Esdras foram excluídos.

João Wycliffe, tradutor da Bíblia para o inglês no século XIV, e o cardeal Cajetan enfatizaram a distinção entre os livros do cânon hebraico e os apócrifos, reforçando a autoridade dos textos originais.

Conclusão

O cânon bíblico foi formado por um processo histórico cuidadoso, com ampla participação de historiadores, teólogos e líderes da Igreja. Os livros do Antigo e Novo Testamento aceitos por todos formam a base da fé cristã, enquanto os textos apócrifos permanecem como literatura religiosa de caráter histórico e moral, mas não canônico.

Referências Bibliográficas 

  • EUSÉBIO DE CESARÉIA. História Eclesiástica. Tradução e comentários. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.

  • JERÔNIMO. Prólogo aos Livros de Samuel e Reis. Roma, 405.

  • ORÍGENES. Contra Celso. Tradução. São Paulo: Paulus, 1998.

  • PAYNE, David F. Comentário Bíblico NVI. Organizado por F.F. Bruce. São Paulo: Vida, 2008.

  • WYLCLIFFE, João. Prefácio da Tradução da Bíblia para o Inglês. 1382.

PARÁBOLAS DE JESUS REGISTRADAS NOS EVANGELHOS

PARÁBOLA

A parábola é uma forma literária e pedagógica amplamente utilizada na Antiguidade, especialmente no contexto judaico, para transmitir verdades morais, espirituais e religiosas por meio de comparações simples, mas profundas. A palavra vem do grego parabolḗ, que significa literalmente “colocar lado a lado”, ou seja, comparar. No hebraico, o termo correspondente é mashal, que também pode ser traduzido como “provérbio”, “ditado” ou “figura de linguagem” (cf. Nm 23.7; 2Sm 12.1–4; Pv 1.6).

As parábolas diferem das fábulas por não recorrerem a personagens imaginários ou animais falantes. Elas se baseiam em situações reais e plausíveis, extraídas da vida cotidiana, como o trabalho agrícola, as relações familiares, o comércio, a pesca e as tradições religiosas de Israel.

Função das Parábolas

As parábolas tinham como propósito principal revelar verdades espirituais profundas por meio de imagens simples, permitindo que os ouvintes compreendessem realidades divinas de maneira acessível. Jesus Cristo, o maior mestre do uso dessa forma literária, empregava parábolas para ensinar o Reino de Deus.

Ele mesmo declarou aos discípulos o motivo de usar esse método:

“Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado” (Mt 13.11).

Assim, a parábola cumpria duas funções simultâneas:

  1. Revelar a verdade aos corações sensíveis e abertos à fé;

  2. Ocultar a verdade daqueles que, mesmo vendo, não queriam crer (Mt 13.13–15).

Estrutura e Método

Uma parábola geralmente apresenta:

  • Um cenário cotidiano (um campo, um banquete, uma casa, um mercado);

  • Personagens comuns (lavradores, servos, pescadores, mercadores, pais e filhos);

  • Um contraste moral ou espiritual, que leva o ouvinte a uma decisão ou reflexão;

  • Um princípio do Reino de Deus, expresso de modo simbólico.

A interpretação de uma parábola exige considerar seu contexto histórico e teológico, evitando alegorizações forçadas. O foco deve estar na mensagem central que Jesus quis comunicar.

As Parábolas de Jesus

Os Evangelhos registram cerca de 44 parábolas contadas por Jesus, sendo exclusivas de cada evangelista em alguns casos. Mateus, Marcos e Lucas são conhecidos como Evangelhos Sinóticos, justamente por apresentarem várias parábolas em comum.

Abaixo estão listadas, em ordem alfabética, as parábolas de Cristo mencionadas nos Evangelhos:

O administrador desonesto (Lc 16.1–9); o amigo importuno (Lc 11.5–8); as bodas (Mt 22.1–14); o bom samaritano (Lc 10.29–37); a casa vazia (Mt 12.43–45); coisas novas e velhas (Mt 13.51–52); o construtor de uma torre (Lc 14.28–30); o credor incompassivo (Mt 18.23–35); o dever dos servos (Lc 17.7–10); as dez virgens (Mt 25.1–13); os dois alicerces (Mt 7.24–27); os dois devedores (Lc 7.40–43); os dois filhos (Mt 21.28–32); a dracma perdida (Lc 15.8–10); o fariseu e o publicano (Lc 18.9–14); o fermento (Mt 13.33); a figueira (Mt 24.32–33); a figueira estéril (Lc 13.6–9); o filho pródigo (Lc 15.11–32); a grande ceia (Lc 14.15–24); o joio (Mt 13.24–30,36–43); o juiz iníquo (Lc 18.1–8); os lavradores maus (Mt 21.33–46); os meninos na praça (Mt 11.16–19); a ovelha perdida (Lc 15.3–7); o pai vigilante (Mt 24.42–44); a pedra rejeitada (Mt 21.42–44); a pérola (Mt 13.45–46); os primeiros lugares (Lc 14.7–11); a rede (Mt 13.47–50); o rei que vai para a guerra (Lc 14.31–32); o remendo com pano novo (Lc 5.36); o rico e Lázaro (Lc 16.19–31); o rico insensato (Lc 12.16–21); o semeador (Mt 13.3–9,18–23); a semente (Mc 4.26–29); a semente de mostarda (Mt 13.31–32); o servo fiel (Mt 24.45–51); os servos vigilantes (Mc 13.33–37); os talentos (Mt 25.14–30); o tesouro escondido (Mt 13.44); os trabalhadores da vinha (Mt 20.1–16); e o vinho e os odres (Lc 5.37).

Cada parábola apresenta uma verdade do Reino de Deus, como o amor ao próximo, a vigilância espiritual, o juízo divino, o arrependimento e a graça salvadora.

Importância Teológica

Teologicamente, as parábolas revelam o caráter do Reino de Deus — já presente, mas ainda não consumado — e demonstram o modo como Jesus revelava verdades eternas por meio de elementos temporais. Elas convidam o ouvinte à decisão espiritual e ao discipulado prático.

As parábolas também refletem o método de ensino rabínico do século I, mas com um diferencial: Jesus falava com autoridade divina, e não como os mestres da lei (Mc 1.22).

Conclusão

As parábolas são uma das formas mais belas e eficazes de ensino da Bíblia. Elas unem simplicidade narrativa e profundidade espiritual, revelando a sabedoria divina e a pedagogia de Cristo. Ao longo dos séculos, continuam sendo fonte de meditação, inspiração e instrução moral para todos os que buscam compreender o Reino de Deus.

Mateus, Marcos, Lucas e João – são, em sua essência, textos anônimos,

A Autoria do Evangelho de Mateus – Testemunhos da Igreja Primitiva e Debates Contemporâneos

Introdução

Quem escreveu os Evangelhos do Novo Testamento? Mateus, Marcos, Lucas e João realmente os escreveram? Esta e outra pergunta têm se deparado com os internautas. mas como teólogo especializado na história dos tempos bíblicos, sempre me impressiona como as narrativas evangélicas, apesar de sua profundidade espiritual, surgem de contextos históricos concretos, marcados por tradições orais e escritas que moldaram a fé cristã primitiva. Os quatro Evangelhos canônicos – Mateus, Marcos, Lucas e João – são, em sua essência, textos anônimos, sem assinaturas explícitas de autores dentro do próprio manuscrito. No entanto, desde os primeiros séculos, a tradição da Igreja os atribuiu respectivamente a Mateus, o apóstolo e ex-cobrador de impostos; Marcos, companheiro de Pedro; Lucas, o médico associado a Paulo; e João, o discípulo amado. Essa atribuição não é mera especulação, mas ancorada em testemunhos de líderes eclesiais do século II em diante, que refletem uma memória coletiva da comunidade cristã. Neste capítulo, exploraremos especificamente a autoria do Evangelho de Mateus, analisando os testemunhos antigos, as evidências internas do texto e os debates modernos, enriquecidos por pesquisas em fontes patrísticas e acadêmicas contemporâneas. Exegeticamente, veremos como o conteúdo do Evangelho se alinha com um autor judeu-cristão, enquanto, homileticamente, sugerimos que essa discussão nos convida a pregar sobre a fidelidade divina em preservar Sua Palavra através de testemunhas humanas imperfeitas, inspirando os fiéis a confiarem na autoridade das Escrituras.

Testemunhos Antigos: As Vozes da Igreja Primitiva

Os primeiros indícios sobre a autoria de Mateus vêm de Papias, bispo de Hierápolis, que escreveu por volta de 140 d.C. Citado por Eusébio de Cesareia em sua História Eclesiástica (III, 39, 16), Papias afirma que "Mateus compôs as palavras [logia] no dialeto hebraico [provavelmente aramaico], e cada um as traduziu como pôde". Essa referência sugere uma coleção inicial de ditos de Jesus em aramaico, direcionada a judeus, o que se alinha com o foco do Evangelho em profecias messiânicas e na lei mosaica. Exegeticamente, os "logia" podem se referir aos discursos de Jesus, como o Sermão da Montanha (Mt 5-7), que enfatizam a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, interpretando a Torá à luz de Cristo como cumprimento (Mt 5:17). Homileticamente, isso nos sugere um sermão sobre "A Palavra que Transcende Idiomas", destacando como Deus usa línguas humanas para revelar verdades eternas, convidando a congregação a traduzir a fé em ações diárias.

Avançando no tempo, o prólogo antimarcionita ao Evangelho de Lucas, datado do século II, menciona que Mateus escreveu seu Evangelho na Judeia, reforçando uma origem geográfica e cultural judaica. Irineu de Lião, por volta de 185 d.C., em Contra as Heresias (III, 1, 1), declara: "Mateus, de fato, produziu seu Evangelho entre os hebreus em seu próprio dialeto, enquanto Pedro e Paulo proclamavam o evangelho e fundavam a igreja em Roma". Aqui, há uma conexão temporal com a expansão missionária, sugerindo que Mateus escreveu antes da destruição do Templo em 70 d.C., para uma audiência judaica em transição. Orígenes, em torno de 220 d.C., citado por Eusébio (História Eclesiástica VI, 25, 4), afirma que o primeiro Evangelho foi escrito por Mateus, ex-publicano e apóstolo, para judeus convertidos, em hebraico. Finalmente, o próprio Eusébio (História Eclesiástica III, 24, 6) relata: "Mateus, tendo pregado o Evangelho em hebraico, ao partir para outras nações, o escreveu em sua língua materna, suprindo assim a ausência de sua presença por meio de seus escritos". Esses testemunhos, unânimes na Igreja primitiva, apontam para uma tradição oral robusta, possivelmente baseada em memórias apostólicas. Exegeticamente, o foco em "hebraico" reflete o bilingualismo da Palestina do século I, onde aramaico e grego coexistiam, e o Evangelho grego atual pode ser uma versão expandida. Para uma sugestão homilética, pregue sobre "Testemunhas do Passado: Construindo Fé no Presente", usando esses pais da Igreja para ilustrar como a tradição preserva a verdade, encorajando os ouvintes a transmitirem sua fé às gerações futuras.

Evidências Internas e o Contexto Histórico

Internamente, o Evangelho de Mateus revela traços que suportam a autoria apostólica. Mateus é mencionado nas listas dos doze apóstolos (Mt 10:3; Mc 3:18; Lc 6:15; At 1:13), mas apenas em seu próprio Evangelho é identificado como "o publicano" (Mt 10:3), um detalhe humilde que sugere autoria pessoal, contrastando com a omissão em Marcos e Lucas, onde é chamado Levi (Mc 2:14; Lc 5:27-29). Exegeticamente, o chamado de Mateus em Mt 9:9 – "Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria" – é narrado de forma concisa, sem enaltecimento, o que difere de relatos de outros apóstolos, indicando uma perspectiva eyewitness. Historicamente, como cobrador de impostos romano, Mateus teria habilidades em escrita e contabilidade, qualificando-o para registrar narrativas detalhadas, como as genealogias (Mt 1) e parábolas financeiras (Mt 18:23-35; 20:1-16). Alfred Wikenhauser, em sua análise, sugere que um original aramaico só é defensável se o grego for uma revisão completa, incorporando Marcos. R.V.G. Tasker, professor emérito de Exegese do Novo Testamento na Universidade de Londres, interpreta a tradição como possível tradução ou expansão bilíngue pelo próprio Mateus, destacando sua qualificação única entre os apóstolos. No contexto do século I, com a dispersão judaica pós-70 d.C., um Evangelho para judeus convertidos faz sentido. Homileticamente, sugiro um sermão intitulado "De Publicano a Pregador: A Transformação de Mateus", usando Mt 9:9-13 para exortar sobre graça redentora, convidando pecadores modernos a seguirem Cristo.

Debates Modernos e Interpretações

Nos debates contemporâneos, muitos estudiosos questionam a autoria apostólica, argumentando que o Evangelho, datado entre 80-90 d.C., depende de Marcos (escrito por volta de 70 d.C.) e reflete preocupações pós-destruição do Templo, como em Mt 24. No entanto, defensores como R.T. France e D.A. Carson, em comentários recentes, afirmam que as evidências internas e a tradição unânime da Igreja primitiva não devem ser descartadas levianamente. Um estudioso americano proeminente, como Craig Blomberg, defende vigorosamente a visão tradicional, enfatizando que a anonimidade não invalida a atribuição histórica. Exegeticamente, o uso de Marcos pode indicar uma colaboração comunitária, não contradição. Embora não sejamos obrigados a aceitar teorias, a base histórica para o nome "Mateus" sugere uma memória autêntica. Homileticamente, proponho pregar "Tradição versus Crítica: Encontrando Equilíbrio na Fé", usando isso para ensinar discernimento bíblico, encorajando estudo pessoal das Escrituras.

Implicações Teológicas e Sugestão Homilética Final

Teologicamente, a autoria de Mateus reforça a inspiração divina das Escrituras, mostrando como Deus usa indivíduos comuns para preservar Sua revelação. Como assumimos a posição tradicional, vemos Mateus como ponte entre judaísmo e cristianismo, enfatizando Jesus como Messias prometido. Para uma sugestão homilética abrangente, desenvolva uma série de sermões sobre "Os Evangelhos como Testemunho Vivo", começando com Mateus para ilustrar conversão e discipulado, aplicando a lições práticas de obediência.

Perguntas para Autoavaliação

  1. Como os testemunhos de Papias e Irineu suportam a autoria de Mateus? Relacione com o contexto histórico do século I.
  2. Analise exegeticamente Mt 9:9-13: Por que o detalhe de "publicano" é significativo para a autoria?
  3. Reflita: Os debates modernos enfraquecem ou fortalecem sua fé na Bíblia? Como aplicar homileticamente?
  4. Por que a tradição da Igreja primitiva não deve ser ignorada? Cite uma evidência interna.
  5. Pesquise um estudioso moderno sobre a autoria de Mateus e discuta sua visão.

Bibliografia

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TITUS INSTITUTE. Early Church and the Authorship of the New Testament Gospels. [S. l.]: Titus Institute, [2025?]. Disponível em: https://www.titusinstitute.com/jesusevidences/authorshipntgospels.php. Acesso em: 25 ago. 2025.

TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO DEFENDIDA. O Apóstolo Mateus escreveu seu Evangelho em Hebraico e depois em Grego: Evidências. [S. l.]: Tradução do Novo Mundo Defendida, 2019. Disponível em: https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2019/04/01/o-apostolo-mateus-escreveu-seu-evangelho-em-hebraico-e-depois-em-grego-evidencias/. Acesso em: 25 ago. 2025.

WOMEN PRIESTS. Authorship of Matthew's Gospel. [S. l.]: Women Priests, [2025?]. Disponível em: https://womenpriests.org/gospels/mtauthor-authorship-of-matthews-gospel/. Acesso em: 25 ago. 2025.

ZONDERVAN ACADEMIC. Who Wrote the Gospels, and How Do We Know for Sure? [S. l.]: Zondervan Academic, 2017. Disponível em: https://zondervanacademic.com/blog/who-wrote-gospels. Acesso em: 25 ago. 2025.

 

PORQUE DEVEMOS ESTUDAR A BÍBLIA

 



POR QUE DEVEMOS ESTUDAR A BÍBLIA

a) Ela é o único manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. O crente foi salvo para servir ao Senhor (1Pe 2:9 - Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; Ef 2:10 - Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas). Sendo a Bíblia o livro-texto do cristão, é imperioso que este a maneje bem para o eficiente desempenho de sua missão - "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2:15). Um bom profissional sabe empregar bem as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática; vem pelo estudo e prática. Assim deve ser o crente em relação ao seu manual – a Bíblia. Entre as promessas de Deus, temos o que diz: "Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is 55:11).


b) Ela alimenta nossas almas.Jesus, porém, respondeu: Está escrito: não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4); “Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos” (Jr 15:16); “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para salvação” (1Pe 2:2). Não há dúvida de que o estudo da Palavra de Deus traz nutrição e crescimento espiritual. Ela é tão indispensável à alma quanto o pão ao corpo.

    Nas passagens citadas, ela é comparada ao alimento; porém, este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo. O texto de 1Pe 2:2 fala do intenso apetite pela Palavra divina. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual.

c) Ela é o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef 6:17). Se em nós houver abundância da Palavra de Deus, o Espírito Santo terá o instrumento com que operar. É preciso meditar nela: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1:2). “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido” (Js 1:8). É preciso deixar que ela domine todas as esferas da nossa vida, nossos pensamentos, nosso coração e assim molde todo o nosso viver diário. Em suma: precisamos ficar saturados da Palavra de Deus. Um requisito primordial para Deus responder nossas orações é estarmos possuídos da sua Palavra. Aqui está, em parte, a razão de muitas orações não serem respondidas: desinteresse pela Palavra de Deus. “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15:7). Pelo menos três fatos estão implícitos aqui:


a) Na oração, precisamos apoiar nossa fé nas promessas de Deus, e essas promessas estão na Bíblia. b) Por sua vez, a Palavra de Deus produz fé em nós (Rm 10:17 - “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”). c) Devemos fazer nossas petições segundo a vontade de Deus (1Jo 5:14 - “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”), e um dos meios de se saber a vontade de Deus é através da Palavra de Deus. Na vida cristã e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos lembra o texto bíblico preciso, se o conhecermos (Jo 14:26 - “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”). É possível o aluno ser lembrado de algo que não sabe? É evidente que não. Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele o instrumento com que operar a Palavra de Deus. Ter o Espírito e não conhecer a Palavra conduz ao fanatismo. (Pessoas assim querem usar o Espírito Santo, em vez de permitir que Ele as use.) Estes dois extremos são igualmente perigosos. “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6:17).


d) Ela enriquece espiritualmente a vida do cristão (Sl 119:72). Essas riquezas vêm, pela revelação do Espírito, primeiramente. “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (Ef 1:17). A pessoa que procurar entender a Bíblia somente através da capacidade intelectual, muito cedo desistirá da leitura. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1Co 2:10). Um renomeado expositor cristão informa que há 32.000 promessas na Bíblia toda! Pense que fonte de riqueza há aí! Entre as riquezas derivadas da Bíblia está a formação do caráter ideal, bem como a formação da vida cristã. É a Bíblia a melhor diretriz de conduta humana; a melhor formadora de caráter. Os princípios que modelam nossa vida devem proceder dela.

A falta de correta e pronta orientação espiritual, dentro da Palavra de Deus, especialmente quanto aos novos convertidos, tem resultado em inúmeras vidas desequilibradas e doentias pelo resto da existência, as quais só um milagre de Deus pode reajustar. A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o homem e requer do homem, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar “O Livro” e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo, e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo.





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