O Sacerdote do Lar: Disciplina que Forma Caráter e Transmite a Fé
Textos base: Deuteronômio 6:5-9; 31:13, Salmos 51:5; 100;
20:11, Jó 1:5, Provérbios 13:24; 14:3; 15:17; 19:18; 20:30; 22:6,8,15; 29:15,
Eclesiastes 8:11, Isaías 54:13, Mateus 10:13; 18:21-22, Marcos 10:16, João
8:32, Atos 2:42, Romanos 12:1, 1 Coríntios 11:1, Gálatas 6:9, Efésios 2:3; 6:4,
Filipenses 4:9, Colossenses 3:21, 1 Tessalonicenses 1:7, Hebreus 7:25; 11:20;
12:9, Tiago 1:5, 1 Pedro 1:18-19, Apocalipse 3:19, Gênesis 18:19; 48:15, Êxodo
20:6, Levítico 23:13-14; 29:15
Nos capítulos anteriores, percorremos os pilares que
sustentam um casamento forte: a liderança do marido que serve, a vocação da
esposa que edifica, a intimidade santa que une os dois em uma só carne e a
ordem financeira que traz paz ao lar. Mas há uma missão ainda maior que Deus
confia a cada casal cristão, e que dá sentido a toda a caminhada da família: ser
sacerdotes no próprio lar.
Ser sacerdote não é um privilégio só dos pastores ou líderes
da igreja. É uma chamada de Deus para todo pai e toda mãe: trazer a presença
de Deus para dentro da família e levar toda a família à presença de Deus. É
apresentar quem é o Senhor aos filhos, não só com palavras, mas com vida; é
colocar os pequenos nas mãos de Deus em oração e bênção todos os dias; é formar
neles o caráter de Cristo, para que quando crescerem não se afastem do caminho
da verdade.
E nessa missão sacerdotal, uma ferramenta dada por Deus é
indispensável, embora muito mal compreendida hoje: a disciplina. Muitos
pais oscilam entre dois extremos que destroem: ou o autoritarismo frio, que
castiga sem amor e sem explicação, ou a permissividade que só conversa, nunca
corrige, e deixa os filhos crescerem sem limites, sem referências, sem
segurança. A Bíblia nos mostra um caminho muito mais belo e eficaz: a
disciplina que não é punição, mas formação; que não fere a alma, mas edifica o
caráter; que revela o amor de Deus, que corrige cada filho que Ele ama.
Este capítulo é um convite a redescobrir a sua vocação de
sacerdote do lar, e a entender como a disciplina, aplicada segundo a sabedoria
divina, é a maior expressão de amor que você pode dar aos seus filhos.
A Missão do Sacerdote no Lar: Dois Movimentos Indispensáveis
Todo sacerdote na Bíblia tinha duas funções principais:
ensinar a Palavra de Deus ao povo e interceder por ele diante do Senhor. Com os
pais não é diferente: o seu sacerdócio se cumpre em dois movimentos que devem
acontecer todos os dias no seu lar: apresentar Deus aos seus filhos e apresentar
os seus filhos a Deus.
Como apresentar Deus aos seus filhos?
Base: Deuteronômio 31:13; 6:5-9, Salmo 100
Muitos pais acham que a missão de ensinar a fé pertence à
igreja, à escola bíblica, ao pastor. Não é o que diz a Palavra. Em
Deuteronômio, Deus deixa claro que a responsabilidade primeira de transmitir a
fé é dos pais. E isso acontece de três formas, que se completam:
1. Através
do seu próprio exemplo“Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6:5). O primeiro
sermão que o seu filho ouve sobre Deus é a sua vida. Ele aprende a orar vendo
você orar. Aprende a perdoar vendo você pedir perdão quando erra. Aprende a ser
honesto vendo você devolver o troco que veio a mais. Aprende a amar a Palavra
vendo você ler a Bíblia todos os dias. Nada substitui o exemplo: o que você faz
fala muito mais alto do que o que você diz.
2. Ensinando
a Palavra de Deus no dia a dia“E estas palavras, que hoje te ordeno,
estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado
em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Dt
6:6-7). Ensinar a Bíblia não é só fazer um culto doméstico de 15 minutos à
noite. É falar de Deus em todos os momentos: na hora da refeição, ao ver uma
flor no jardim, ao contar uma história antes de dormir, ao corrigir um erro, ao
comemorar uma bênção. A fé deve ser natural, parte da rotina, não algo formal
que só acontece na igreja.
3. Através
do culto doméstico regular“Servi ao Senhor com alegria; vinde diante
dele com canto” (Sl 100:2). Reservar um momento diário ou semanal com toda
a família para orar, ler um trecho da Bíblia, cantar um hino e agradecer pelas
bênçãos é o alicerce espiritual do lar. É ali que os filhos aprendem que Deus é
real, que Ele ouve a oração, que a Sua Palavra tem resposta para cada problema
da vida. O culto doméstico não precisa ser longo ou perfeito: precisa ser
sincero, constante e feito com amor.
Como apresentar os seus filhos a Deus?
Base: 1 Tessalonicenses 1:7, Jó 1:5, Hebreus 7:25, Marcos
10:16, Hebreus 11:20, Gênesis 48:15
Assim como o sacerdote levava o povo à presença de Deus no
templo, você deve levar os seus filhos ao Senhor todos os dias, em duas
atitudes sacerdotais que marcam a vida deles para sempre:
4. A
oração sacerdotal dos paisJó era um homem justo, e a Bíblia conta que ele
fazia o seguinte: “Levantava-se de manhã cedo e oferecia holocaustos segundo
o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e
blasfemaram de Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente” (Jó 1:5).
Essa é a oração sacerdotal: orar pelos filhos, cobrindo-os com a graça de Deus,
intercedendo por cada área da vida deles, antes mesmo que eles peçam.
Você tem poder espiritual sobre a vida dos seus filhos
quando ora por eles. A sua oração pode quebrar maldições, abrir portas,
proteger do mal, guiar os passos, salvar a alma deles. Como diz Hebreus 7:25,
Cristo vive sempre para interceder por nós — e como pais, refletimos esse
ministério quando intercedemos pelos nossos pequenos. Não deixe de orar por
cada filho, pelo nome, todos os dias.
5. Apresentando-os
através da bênção patriarcalNa Bíblia, a bênção dos pais era algo
sobrenatural, que marcava o destino dos filhos. Abraão abençoou Isaque. Isaque
abençoou Jacó. Jacó abençoou os seus doze filhos, antes de morrer (Gn 48:15; Hb
11:20). O próprio Jesus, quando receberam as crianças para abençoar, “tomou-as
nos braços, e, impondo-lhes as mãos, as abençoava” (Mc 10:16).
Abençoar os filhos não é só dizer “Deus te abençoe”. É falar
palavras de vida, de valor, de propósito sobre eles: dizer que são amados, que
são capazes, que Deus tem um plano lindo para a vida deles, que você estará ao
lado deles em qualquer situação. As palavras de bênção dos pais ficam gravadas
no coração dos filhos para sempre, e são uma arma poderosa contra as mentiras
do inimigo que tentam dizer o contrário.
O Sacerdócio dos Pais e a Disciplina: Desfazendo Dois Extremos
Base: Levítico 23:13-14; 29:15, Apocalipse 3:19
Na lei de Moisés, quando alguém trazia uma oferta ao Senhor,
devia trazer também a oferta de cereais com ela: a oferta representava a vida,
e o cereal representava a dedicação, a ordenação daquela vida para Deus. Na
vida espiritual dos seus filhos, é a mesma coisa: o seu sacerdócio de ensinar e
abençoar deve andar sempre junto com a disciplina, que ordena a vida
deles, forma o caráter e os prepara para cumprir o plano de Deus.
Mas antes de qualquer coisa, é preciso desfazer dois enganos
que têm destruído lares:
•
Extremo 1: A disciplina como castigo
interminável, sem amor, sem explicação: pais que gritam, que batem com
raiva, que humilham, que só veem o erro e nunca o acerto. Isso não é
disciplina: é violência, e gera ódio, medo, feridas que nunca cicatrizam.
•
Extremo 2: A permissividade que só tem
“bate-papo” sem limites: pais que nunca dizem “não”, que deixam os filhos
fazer o que querem, que explicam mil vezes mas nunca cobram obediência, que
acham que corrigir é não amar. Isso também não é amor: é negligência, e deixa
os filhos inseguros, sem referências, sem capacidade de viver em sociedade e
sem temor a Deus.
A disciplina bíblica fica no meio caminho: é firme, tem
limites, cobra obediência — mas sempre com amor, sempre com explicação, sempre
visando o bem do filho, nunca a vingança ou a satisfação da raiva dos pais.
Como diz Apocalipse 3:19: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo”.
Deus mesmo nos corrige porque nos ama — e é esse o modelo que devemos seguir
com os nossos filhos.
Por Que a Disciplina É Indispensável? Seis Propósitos de Deus
Base: Provérbios 22:6; 29:15, Hebreus 12:9
Muitos pais só disciplinam quando estão bravos, ou quando o
filho fez algo muito grave. Mas a disciplina tem um propósito muito maior do
que parar um erro no momento: ela forma a pessoa que o seu filho será para toda
a vida. São seis os alvos que Deus quer atingir através da sua correção fiel:
6. Controlar
a vontade própria: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e,
até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22:6). A criança nasce com
a vontade própria forte, querendo tudo o que quer, quando quer. A disciplina
ensina ela a dizer “não” a si mesma, a esperar a sua vez, a obedecer — o que é
fundamental para ela não ser escrava dos seus próprios desejos quando crescer.
7. Desenvolver
respeito à autoridade: “Além disso, tivemos pais segundo a carne, que
nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior
submissão ao Pai espiritual e viver?” (Hb 12:9). Se a criança não aprende a
respeitar a autoridade dos pais em casa, nunca vai respeitar a autoridade de
Deus, dos professores, dos chefes, das leis quando for adulta. A disciplina em
casa é a primeira escola de respeito.
8. Criar
bons hábitos: A repetição constante do que é certo, com correção quando
erra, faz com que o bem se torne natural na vida do filho: orar antes de comer,
arrumar os brinquedos, falar com educação, cumprir com os deveres. Hábitos bons
formam um caráter bom.
9. Manter
a ordem no lar: Sem limites claros, a casa vira uma bagunça, ninguém se
entende, os irmãos brigam, os pais vivem exaustos. A disciplina traz segurança:
todos sabem o que podem e o que não podem fazer, e isso traz paz para toda a
família.
10. Desenvolver
o senso de responsabilidade: Quando a criança aprende que cada ato tem uma
consequência — boa, se fizer o certo; ruim, se fizer o errado — ela começa a
assumir a responsabilidade pelas suas escolhas. Isso é fundamental para ela ser
um adulto íntegro, que não culpa os outros pelos seus próprios erros.
11. Edificar
o caráter conforme Cristo: Esse é o propósito maior. A disciplina não é só
para ter um filho “comportado” que não dá trabalho. É para formar nele o fruto
do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé,
mansidão, domínio próprio. É preparar uma pessoa que vai glorificar a Deus na
terra.
O Aviso de Deus: Não Provokeis a Ira dos Vossos Filhos
Base: Efésios 6:4, Colossenses 3:21
O apóstolo Paulo não poderia ser mais claro: “E vós,
pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e
admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Disciplinar é diferente de provocar.
Muitos pais, sem perceber, ferem o coração dos filhos com atitudes que geram
ressentimento, ódio, baixa autoestima e afastamento de Deus. Há seis formas
comuns de os pais provocarem a ira dos pequenos:
12. Quando
dão ordens, mas não são o exemplo: “Sede meus imitadores, como também eu
o sou de Cristo” (1 Co 11:1). Não adianta mandar o filho não gritar se você
grita com ele todo dia. Não adianta proibir o celular na mesa se você passa a
refeição olhando para a tela. A hipocrisia dos pais gera revolta nos filhos.
13. Quando
dão ordens sem razão de ser: Ordens como “porque eu mando”, “porque sim”,
sem explicar o porquê, fazem a criança obedecer por medo, não por convicção.
Quando ela cresce e não tem mais o medo, acaba fazendo exatamente o que foi
proibido, por rebeldia.
14. Quando
exigem obediência sem amor: “Melhor é um prato de hortaliças onde há
amor, do que um boi gordo, e com ele a discórdia” (Pv 15:17). Você pode ter
todas as regras certas, mas se não demonstrar amor, carinho, afeto junto com a
correção, o filho vai sentir que só é amado quando obedece — e isso destrói a
sua segurança emocional.
15. Quando
nunca procuram compreendê-los: Cada filho é diferente, tem os seus medos,
os seus sentimentos, a sua forma de ver o mundo. Pais que só olham o
comportamento, e nunca perguntam “por que você fez isso?”, “o que você está
sentindo?”, acabam corrigindo o que é superficial, sem tratar a ferida que está
no coração.
16. Quando
se recusam a admitir os seus próprios erros: Nenhum pai é perfeito. Você
vai gritar, vai ser injusto, vai cobrar algo que não deveria. E quando isso
acontece, a coisa mais nobre que você pode fazer é se ajoelhar na frente do
filho, pedir desculpas e dizer: “Papai/mamãe errou, me perdoa”. Pais que nunca
admitem o erro ensinam os filhos a nunca admitir os erros deles também.
17. Quando
exigem além do que eles são capazes de oferecer: Esperar que uma criança de
3 anos fique quieta 2 horas na igreja, que um menino de 7 anos tenha a
responsabilidade de um adulto, que a filha tire nota 10 em todas as matérias
mesmo estudando muito — essas exigências impossíveis geram frustração, sensação
de nunca ser suficiente, e afastam o filho de Deus, que ele passa a ver também
como um Pai exigente que nunca fica contente.
O Que Realmente É Disciplinar? É Fazer Discípulo
Base: Mateus 28:19, Provérbios 14:3; 19:18; 13:24
A palavra “disciplina” vem da mesma raiz de “discípulo”.
Disciplinar não é punir: é formar uma pessoa em conformidade com o caráter
do Mestre — no caso, os pais, que devem refletir o caráter de Cristo. É um
processo longo, diário, que tem dois passos fundamentais, em ordem que nunca
pode ser invertida:
Primeiro passo: O Ensino ou Instrução
Base: Provérbios 14:3
A disciplina começa antes de qualquer erro acontecer.
Você não pode corrigir uma criança por algo que nunca ensinou a ela que é
errado. O ensino é a base de tudo: é explicar o que é certo e o que é errado,
desde a mais tenra idade, de forma adequada a cada fase.
São exemplos de instruções que os pais devem dar no dia a
dia:
•
Como se comportar na mesa, como usar os
talheres, como pedir licença
•
Como atar os sapatos, como arrumar a cama, como
cuidar dos brinquedos e das coisas da família
•
Sobre valores morais: não mentir, não roubar,
não bater nos irmãos, tratar os mais velhos com respeito
•
Informações corretas sobre Deus, sobre a igreja,
sobre o que é ser cristão, sobre o plano de salvação
Quando você ensina primeiro, a correção depois é justa: a
criança sabe que errou, porque já tinha sido avisada.
Segundo passo: O Castigo — A Cobrança do Que Foi Ensinado
Base: Provérbios 19:18; 13:24
“Corrige a teu filho, enquanto há esperança, mas não te
deixes levar à morte por o quereres corrigir” (Pv 19:18). “O que retém a
sua vara odeia o seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina” (Pv 13:24).
O castigo é a consequência natural para quem foi ensinado,
sabe o que é certo, mas escolheu fazer o errado. Ele não é vingança, não é para
aliviar a raiva dos pais: é para lembrar o filho que a desobediência tem preço,
e para ajudá-lo a não repetir o erro. A Bíblia fala da “vara da disciplina” —
que pode ser sim um instrumento físico, leve, aplicado com amor e sem raiva, em
crianças pequenas, mas que também pode ser outras consequências: tirar um
brinquedo, proibir um passeio, ficar sem tela por um tempo. O importante é que
seja justo, adequado à idade e ao erro, e que cumpra o seu propósito de
ensinar, não de ferir.
Antes de Disciplinar: Você Realmente Conhece o Seu Filho?
Base: Salmo 139:13-16
Não existe uma receita de disciplina que funcione igual para
todos os filhos. O que funciona com um pode não funcionar com o outro, porque
cada criança é única, criada por Deus com uma personalidade, um temperamento e
um propósito diferentes. Antes de aplicar qualquer correção, você deve
responder quatro perguntas importantes:
18. Quem
é esta criança que Deus me confiou?
19. Como
é o temperamento e o caráter do meu filho?
20. Em
que fase da vida ele está, e o que é razoável esperar dele para a sua idade?
21. Em
que situação ele está vivendo hoje, que pode estar influenciando o seu
comportamento?
Para responder a essas perguntas, é preciso entender
primeiro a natureza da criança, como a Bíblia a revela:
22. É
nascida em pecado: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me
concebeu minha mãe” (Sl 51:5). Desde o nascimento, ela tem uma inclinação
natural para fazer o que é errado.
23. É
por natureza filha da ira: “Entre os quais também todos nós andamos
outrora, nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”
(Ef 2:3).
24. É
astuta por natureza: “A estultícia está ligada ao coração da criança,
mas a vara da disciplina a afastará dela para longe” (Pv 22:15). Ela sabe
mentir, sabe manipular, sabe fazer birra para conseguir o que quer, sem que
ninguém tenha ensinado.
25. É
inclinada a fazer o que envergonha: “A vara e a correção dão sabedoria,
mas o menino entregue a si mesmo envergonha a sua mãe” (Pv 29:15). Sem
limites, ela acaba tomando decisões que trazem vergonha para ela e para a
família.
26. Herda
a bagagem de comportamento dos pais: “Sabendo que não foi com coisas
corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de
viver, que por tradição recebestes de vossos pais” (1 Pe 1:18-19). Os
vícios, os medos, a forma de reagir dos pais acabam sendo passados para os
filhos, por exemplo.
27. Se
revela desde a mais tenra idade pelas suas ações: “Até a criança se dá a
conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta” (Pv 20:11). Você
não precisa esperar ela crescer para ver como é: o jeito de brincar, de reagir
a um “não”, de tratar os irmãos já mostra o seu coração.
Quando você conhece a natureza do seu filho e a sua
individualidade, consegue adaptar a disciplina: um filho mais sensível precisa
de mais conversa e menos rigidez; um mais teimoso precisa de limites mais
firmes e consistentes; um mais distraído precisa de lembretes mais frequentes.
Disciplina não é regra rígida: é amor que conhece e adapta.
Nove Sugestões Práticas para Uma Disciplina que Edifica
Base: Apocalipse 3:19, Provérbios 10:13; 22:8; 20:30,
Eclesiastes 8:11
Para que a disciplina cumpra o propósito de Deus na vida dos
seus filhos, siga estas nove regras simples, que fazem toda a diferença:
28. Lembre-se
sempre: disciplina é um ato de amor: “Eu repreendo e disciplino a
quantos amo” (Ap 3:19). Nunca corrija só porque está bravo. Antes de agir,
respire fundo, ore e pergunte: “Estou fazendo isso pelo bem do meu filho, ou
para aliviar a minha própria raiva?”
29. Ensine
que a obediência evita a disciplina: “Na boca do insensato está a vara
da soberba, mas os lábios dos prudentes os guardarão” (Pv 10:13). Deixe
claro desde cedo: se você obedecer na primeira vez, não precisa de correção. A
obediência traz bênção, a desobediência traz consequência.
30. Aplique
a disciplina sem raiva: “Quem semeia a iniqüidade ceifa a desgraça, e a
vara da sua ira perecerá” (Pv 22:8). Nunca corrija quando estiver fora de
si. Se precisar, saia um pouco, ore, se acalme, e volte depois para corrigir
com firmeza mas sem gritar, sem humilhar, sem bater com força. A raiva dos pais
sempre faz mais mal do que bem.
31. Use
o instrumento certo para cada caso: “Os açoites ferem a maldade, e as
pancadas o interior do ventre” (Pv 20:30). Para crianças pequenas, uma
correção leve com a vara pode ser necessária; para maiores, consequências como
tirar privilégios, conversa séria, trabalho extra em casa funcionam melhor.
Nunca use objetos que possam machucar, nunca bata no rosto, nunca humilhe em
público.
32. Aplique
imediatamente após o erro: “Porquanto não se executa logo a sentença
contra a má obra, o coração dos filhos dos homens se dispõe totalmente a fazer
o mal” (Ec 8:11). Se esperar muito tempo para corrigir, a criança já
esqueceu o que fez, e a disciplina perde o sentido.
33. Corrija
sempre em lugar recluso, longe de outras pessoas: Nunca corrija o filho na
frente dos irmãos, dos amigos, de parentes ou de estranhos. Isso humilha, gera
vergonha e ressentimento. Chame ele para um quarto, para um lugar a sós, e ali
fale o que precisa ser dito, com amor.
34. Aplique
de modo lúcido e justo: Explique exatamente qual erro ele cometeu, por que
é errado, o que a Bíblia diz sobre aquilo, e qual será a consequência. Nunca
corrija por coisas que ele não tem culpa, nunca compare com os irmãos: “Por que
você não é igual ao seu irmão?” — isso destrói a autoestima.
35. Após
a disciplina, invista tempo orando com o seu filho: Depois que a
consequência foi cumprida, ore com ele: peça perdão a Deus pelo erro, peça
força para não repetir, declare a bênção de Deus sobre a vida dele. Isso mostra
que a correção não acabou com o seu amor, e que Deus perdoa quem se arrepende.
36. Após
a disciplina, se comunique com ele com carinho: Abrace, diga que o ama,
explique que corrigiu porque quer o bem dele, que ele é importante para você.
Não fique de mau humor, não trate ele com frieza depois. A disciplina deve
terminar em reconciliação, nunca em ressentimento.
O Pai Que Todos os Filhos Querem Ter
Base: Mateus 18:21-22, Provérbios 22:8
O sacerdócio e a disciplina no lar recaem de forma especial
sobre o pai, que Deus colocou como líder da família. Muitos homens são bons
provedores, bons trabalhadores, mas falham na missão de ser pai — e essa é a
maior lacuna na vida de muitos filhos. A Bíblia nos mostra o perfil do pai que
agrada a Deus e que os filhos desejam ter de verdade:
37. Pai
que faz confissão de amor aos filhos, sempre: Não só com presentes, mas com
palavras: “eu te amo”, “estou orgulhoso de você”, “você é um presente de Deus
para mim”. Muitos filhos passam a vida toda ouvindo o pai corrigir, e nunca
ouvem uma palavra de afirmação.
38. Pai
que ministra disciplina sem raiva: Firme nos limites, mas calmo, que não
perde o controle, que corrige por amor e não por irritação.
39. Pai
que oferece perdão sincero e abundante: Como ensinou Jesus em Mateus
18:21-22, perdoa não sete vezes, mas setenta vezes sete. Não fica guardando
rancor dos erros dos filhos, não lembra falhas antigas para acusar.
40. Pai
que deseja estar sempre próximo dos filhos: Participa da vida deles: vai
aos jogos, assiste as apresentações na escola, brinca no chão, conversa sobre o
que eles gostam. Não é só o homem que chega cansado do trabalho e só fala “não
me incomode”.
41. Pai
que prioriza a relação com os filhos acima do trabalho, acima dos amigos, acima
de qualquer outra coisa: Sabe que os filhos crescem rápido, e que o tempo
perdido com eles nunca volta.
42. Pai
que faz compromisso de amor com os filhos: Promete o que pode cumprir, e
cumpre tudo o que promete. É confiável, os filhos sabem que podem contar com
ele em qualquer situação.
43. Pai
que respeita os filhos, não proferindo pragas ou maldições sobre eles: Não
diz frases como “você nunca vai ser nada na vida”, “você é igual ao seu pai
ruim”, “queria que você não tivesse nascido”. As palavras de um pai têm poder
de vida ou de morte sobre os filhos.
44. Pai
que tem tempo de qualidade para os filhos: Não é só estar fisicamente em
casa olhando para o celular. É estar presente, de verdade, com atenção total,
ouvindo, participando, amando.
Desafio Final
Ser sacerdote do lar e disciplinar com amor não é para pais
perfeitos. É para pais que estão dispostos a aprender, a errar, a pedir perdão,
a buscar a sabedoria de Deus todos os dias. Como diz Tiago 1:5: “E se algum
de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o
não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”.
Esta semana, convido você e o seu cônjuge a fazerem juntos
três coisas práticas:
45. Sentar
e avaliar: como temos sido sacerdotes no nosso lar? Temos ensinado a Palavra,
temos orado pelos filhos, temos abençoado eles com palavras de vida?
46. Rever
a forma como temos disciplinado: temos caído em algum dos extremos? Temos
provocado a ira dos nossos filhos com alguma atitude? O que precisamos mudar?
47. Escolher
um horário fixo para o culto doméstico, mesmo que curto, e começar a praticá-lo
com toda a família, sem falta.
Oração do Sacerdote do Lar“Pai
Celeste, nós Te agradecemos por nos confiar a missão mais linda do mundo: ser
pais dos filhos que Tu nos deste. Perdoa-nos por todas as vezes que falhamos no
nosso sacerdócio: por não termos ensinado a Tua Palavra como devíamos, por não
termos orado o suficiente, por termos disciplinado com raiva, por termos
provocado a ira dos nossos pequenos com as nossas atitudes injustas, por não
termos dado o exemplo que eles mereciam. Dá-nos hoje a Tua sabedoria, o Teu
amor, o Teu autocontrole. Ensina-nos a apresentar-Te aos nossos filhos com a
nossa vida, a levá-los à Tua presença em oração e bênção todos os dias.
Ensina-nos a disciplinar como Tu nos disciplinas: com firmeza, mas com amor,
visando sempre o bem e a formação do caráter deles. Faz de nós pais e mães que
refletem o Teu coração de Pai, para que os nossos filhos cresçam não só
comportados, mas apaixonados por Ti, preparados para cumprir o plano
maravilhoso que tens para cada um deles. Em nome de Jesus, o nosso grande Sumo
Sacerdote e Mestre, amém.”
Capítulo 4 – O Perfil do Marido Ideal