A Autoria do Evangelho de Mateus – Testemunhos da Igreja Primitiva e Debates Contemporâneos
Introdução
Testemunhos Antigos: As Vozes da Igreja Primitiva
Os primeiros indícios sobre a autoria de Mateus vêm de Papias, bispo de Hierápolis, que escreveu por volta de 140 d.C. Citado por Eusébio de Cesareia em sua História Eclesiástica (III, 39, 16), Papias afirma que "Mateus compôs as palavras [logia] no dialeto hebraico [provavelmente aramaico], e cada um as traduziu como pôde". Essa referência sugere uma coleção inicial de ditos de Jesus em aramaico, direcionada a judeus, o que se alinha com o foco do Evangelho em profecias messiânicas e na lei mosaica. Exegeticamente, os "logia" podem se referir aos discursos de Jesus, como o Sermão da Montanha (Mt 5-7), que enfatizam a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, interpretando a Torá à luz de Cristo como cumprimento (Mt 5:17). Homileticamente, isso nos sugere um sermão sobre "A Palavra que Transcende Idiomas", destacando como Deus usa línguas humanas para revelar verdades eternas, convidando a congregação a traduzir a fé em ações diárias.
Avançando no tempo, o prólogo antimarcionita ao Evangelho de Lucas, datado do século II, menciona que Mateus escreveu seu Evangelho na Judeia, reforçando uma origem geográfica e cultural judaica. Irineu de Lião, por volta de 185 d.C., em Contra as Heresias (III, 1, 1), declara: "Mateus, de fato, produziu seu Evangelho entre os hebreus em seu próprio dialeto, enquanto Pedro e Paulo proclamavam o evangelho e fundavam a igreja em Roma". Aqui, há uma conexão temporal com a expansão missionária, sugerindo que Mateus escreveu antes da destruição do Templo em 70 d.C., para uma audiência judaica em transição. Orígenes, em torno de 220 d.C., citado por Eusébio (História Eclesiástica VI, 25, 4), afirma que o primeiro Evangelho foi escrito por Mateus, ex-publicano e apóstolo, para judeus convertidos, em hebraico. Finalmente, o próprio Eusébio (História Eclesiástica III, 24, 6) relata: "Mateus, tendo pregado o Evangelho em hebraico, ao partir para outras nações, o escreveu em sua língua materna, suprindo assim a ausência de sua presença por meio de seus escritos". Esses testemunhos, unânimes na Igreja primitiva, apontam para uma tradição oral robusta, possivelmente baseada em memórias apostólicas. Exegeticamente, o foco em "hebraico" reflete o bilingualismo da Palestina do século I, onde aramaico e grego coexistiam, e o Evangelho grego atual pode ser uma versão expandida. Para uma sugestão homilética, pregue sobre "Testemunhas do Passado: Construindo Fé no Presente", usando esses pais da Igreja para ilustrar como a tradição preserva a verdade, encorajando os ouvintes a transmitirem sua fé às gerações futuras.
Evidências Internas e o Contexto Histórico
Internamente, o Evangelho de Mateus revela traços que suportam a autoria apostólica. Mateus é mencionado nas listas dos doze apóstolos (Mt 10:3; Mc 3:18; Lc 6:15; At 1:13), mas apenas em seu próprio Evangelho é identificado como "o publicano" (Mt 10:3), um detalhe humilde que sugere autoria pessoal, contrastando com a omissão em Marcos e Lucas, onde é chamado Levi (Mc 2:14; Lc 5:27-29). Exegeticamente, o chamado de Mateus em Mt 9:9 – "Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria" – é narrado de forma concisa, sem enaltecimento, o que difere de relatos de outros apóstolos, indicando uma perspectiva eyewitness. Historicamente, como cobrador de impostos romano, Mateus teria habilidades em escrita e contabilidade, qualificando-o para registrar narrativas detalhadas, como as genealogias (Mt 1) e parábolas financeiras (Mt 18:23-35; 20:1-16). Alfred Wikenhauser, em sua análise, sugere que um original aramaico só é defensável se o grego for uma revisão completa, incorporando Marcos. R.V.G. Tasker, professor emérito de Exegese do Novo Testamento na Universidade de Londres, interpreta a tradição como possível tradução ou expansão bilíngue pelo próprio Mateus, destacando sua qualificação única entre os apóstolos. No contexto do século I, com a dispersão judaica pós-70 d.C., um Evangelho para judeus convertidos faz sentido. Homileticamente, sugiro um sermão intitulado "De Publicano a Pregador: A Transformação de Mateus", usando Mt 9:9-13 para exortar sobre graça redentora, convidando pecadores modernos a seguirem Cristo.
Debates Modernos e Interpretações
Nos debates contemporâneos, muitos estudiosos questionam a autoria apostólica, argumentando que o Evangelho, datado entre 80-90 d.C., depende de Marcos (escrito por volta de 70 d.C.) e reflete preocupações pós-destruição do Templo, como em Mt 24. No entanto, defensores como R.T. France e D.A. Carson, em comentários recentes, afirmam que as evidências internas e a tradição unânime da Igreja primitiva não devem ser descartadas levianamente. Um estudioso americano proeminente, como Craig Blomberg, defende vigorosamente a visão tradicional, enfatizando que a anonimidade não invalida a atribuição histórica. Exegeticamente, o uso de Marcos pode indicar uma colaboração comunitária, não contradição. Embora não sejamos obrigados a aceitar teorias, a base histórica para o nome "Mateus" sugere uma memória autêntica. Homileticamente, proponho pregar "Tradição versus Crítica: Encontrando Equilíbrio na Fé", usando isso para ensinar discernimento bíblico, encorajando estudo pessoal das Escrituras.
Implicações Teológicas e Sugestão Homilética Final
Teologicamente, a autoria de Mateus reforça a inspiração divina das Escrituras, mostrando como Deus usa indivíduos comuns para preservar Sua revelação. Como assumimos a posição tradicional, vemos Mateus como ponte entre judaísmo e cristianismo, enfatizando Jesus como Messias prometido. Para uma sugestão homilética abrangente, desenvolva uma série de sermões sobre "Os Evangelhos como Testemunho Vivo", começando com Mateus para ilustrar conversão e discipulado, aplicando a lições práticas de obediência.
Perguntas para Autoavaliação
- Como os testemunhos de Papias e Irineu suportam a autoria de Mateus? Relacione com o contexto histórico do século I.
- Analise exegeticamente Mt 9:9-13: Por que o detalhe de "publicano" é significativo para a autoria?
- Reflita: Os debates modernos enfraquecem ou fortalecem sua fé na Bíblia? Como aplicar homileticamente?
- Por que a tradição da Igreja primitiva não deve ser ignorada? Cite uma evidência interna.
- Pesquise um estudioso moderno sobre a autoria de Mateus e discuta sua visão.
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