EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

 

É o terceiro livro do Novo Testamento e o mais longo dos quatro evangelhos canônicos. Ele forma, junto com o Livro dos Atos dos Apóstolos, uma obra literária em dois volumes (Lucas-Atos), considerada a maior contribuição individual ao Novo Testamento (cerca de 24-27,5% do total). Lucas apresenta Jesus como o Filho do Homem, o Homem Ideal e Salvador compassivo que busca e salva os perdidos, com ênfase especial na misericórdia, inclusão social (pobres, mulheres, marginalizados, gentios) e universalidade da salvação. Seu estilo literário refinado, influenciado pela Septuaginta e pela historiografia greco-romana, inclui narrativas detalhadas, cânticos poéticos (Magnificat, Benedictus, Nunc Dimittis) e 38 seções exclusivas (parábolas como o Bom Samaritano e o Filho Pródigo, milagres e eventos da infância). Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas modernas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter histórico-teológico e inclusivo.

Propósito

O propósito é fornecer uma narrativa ordenada e investigada dos fatos sobre Jesus (Lc 1:1-4), para que o leitor (Teófilo) tenha certeza da verdade ensinada. Lucas visa apresentar Jesus como Salvador universal, enfatizando misericórdia, oração, inclusão dos excluídos e salvação "hoje". A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca o foco na compaixão de Jesus pelos pobres e marginalizados. Champlin vê como evangelho da salvação para todos, com forte ênfase no Espírito Santo e na conversão. Beacon e Henry ressaltam a continuidade da história da salvação do AT para o NT, preparando o caminho para Atos.

Data e Local

Cerca de 58-63 d.C., com local desconhecido (possivelmente durante a prisão de Paulo em Roma ou Cesareia). A erudição moderna (Champlin, Beacon, Bruce) data-o entre 80-90 d.C., após Marcos (fonte principal) e a destruição do Templo (alusões em Lc 21). A Bíblia de Estudo de Genebra e Henry apoiam uma data anterior. O local provável é uma região helenizada, como Antioquia da Síria ou Grécia.

Autor

Lucas, o "médico amado" (Cl 4:14), companheiro de Paulo (seções "nós" em Atos). Gentio convertido, historiador culto, escreveu em grego refinado com vocabulário médico e 266 palavras exclusivas no NT. A tradição patrística (Ireneu) confirma a autoria. Champlin e Beacon aceitam Lucas como autor; estudos modernos (Brown e Coenen) veem-no como cristão gentio educado, usando fontes (Marcos, Q, L). Henry destaca sua precisão investigativa.

Tema

Jesus Cristo como o Homem Ideal de Jeová (Zc 6:12), dependente do Pai, compassivo com excluídos (pobres, mulheres, samaritanos, pecadores). Ênfase em misericórdia, oração, salvação universal, alegria e ação do Espírito Santo. Champlin destaca detalhes humanos e inclusão; Beacon vê como teologia da salvação "hoje"; Henry enfatiza conversão e dependência de Deus.

Destinatário

Cristãos gentios, ou comunidades mistas, dedicadas a Teófilo ("amigo de Deus"), inseridas em contextos helenizados enfrentando perseguições ou incertezas. O texto explica costumes judaicos para um público predominantemente não judeu. Champlin e Genebra destacam o enfoque nos gentios, com uma mensagem de salvação universal. Teófilo, nome romano comum, levanta uma questão intrigante: quem era este homem mencionado apenas aqui e em Atos 1:1? Josefo, historiador judeu, menciona dois sumos sacerdotes com este nome. No entanto, no contexto bíblico, Teófilo é descrito como alguém "instruído" na vida de Cristo (v. 4). Poderia tratar-se de uma figura influente na sociedade romana ou judaica, talvez um patrono ou oficial romano interessado no cristianismo? Ou seria um título simbólico, representando "amigo de Deus"? A ausência de informações concretas deixa-nos a ponderar sobre o papel exato de Teófilo e sua relevância na narrativa bíblica.

Versículos-chave

  • Lc 1:46-55 (Magnificast)[1].
  • Lc 2:11 (Salvador nascido).
  • Lc 4:18-19 (Missão de Jesus).
  • Lc 15:7 (Alegria no céu por pecador arrependido).
  • Lc 19:10 (Veio buscar e salvar o perdido).
  • Lc 24:47 (Arrependimento e perdão). Destacados na Dakes e Henry, resumem misericórdia e salvação.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Filho do Homem.
  • Lucas: Autor.
  • Maria: Figura central na infância.
  • João Batista: Precursor.
  • Mulheres (Maria Madalena, Marta, etc.): Destaque único.
  • Zaqueu, publicano: Conversão. Henry e Beacon destacam inclusão de marginalizados.

Lugares-chave

  • Nazaré: Infância.
  • Belém: Nascimento.
  • Galileia: Ministério.
  • Samaria: Inclusão.
  • Jerusalém: Paixão e ascensão.
  • Caminho para Jerusalém (9:51-19:27): Viagem central. Champlin enfatiza geografia progressiva.

Estatísticas

42º livro da Bíblia; 24 capítulos; 1.151 versículos; 165 perguntas; 9 profecias do AT; 54 novas profecias; 930 versículos de história; 118 versículos cumpridos e 103 versículos de profecias não cumpridas. 38 partes exclusivas que não aparecem noutros evangelhos:

1.      6 Milagres exclusivos:

·         A pesca milagrosa (5.4-11);

·         A ressurreição do filho da viúva de Naim (7.11-18);

·         A cura de uma mulher encurvada (13.11-17);

·         A cura de um homem com hidropisia (14.1-6);

·         A cura de dez leprosos (17.11-19);

·         A cura da orelha do servo de Malco (22.50,51).

2.      10 Parábolas únicas:

·         Os dois devedores (7.41-43);

·         O bom samaritano (10.30-37);

·         O amigo importuno (11.5-8);

·         O rico insensato (12.16-21);

·         A figueira estéril (13.6-9);

·         A dracma perdida (15.8-10);

·         O filho pródigo (15.11-32);

·         O juiz iníquo (18.1-8);

·         O fariseu e o publicano (18.9-14).

3.      22 Discursos e acontecimentos específicos:

·         O nascimento e infância de João Batista e Jesus (1.5-80; 2.1-52);

·         O diálogo com os publicanos e soldados (3.10-14);

·         O envio dos setenta discípulos (10.1-20);

·         O encontro com Zaqueu (19.1-10);

·         O lamento sobre Jerusalém (19.41-44);

·         A agonia no Getsémani (22.44);

·         O julgamento de Jesus por Herodes (23.7-12);

·         As mulheres que choram no caminho para a cruz (23.27-31);

·         As palavras de perdão e salvação na cruz (23.34,40-43);

·         A ascensão de Jesus (24.50-53).

É o maior dos Evangélicos  não em número de versículos mais em palavras no grego original (aproximadamente 19.482 palavras gregas, superando Mateus com cerca de 18.345, João com 15.635 e Marcos com 11.304).

Estrutura

  • Prólogo (1:1-4): Propósito.
  • Infância e preparação (1:5-4:13): Nascimentos, batismo, tentações.
  • Ministério na Galileia (4:14-9:50): Milagres, Sermão da Planície.
  • Viagem para Jerusalém (9:51-19:27): Parábolas exclusivas, discipulado.
  • Em Jerusalém (19:28-21:38): Entrada triunfal, ensinamentos.
  • Paixão, ressurreição e ascensão (22-24). Beacon e Henry destacam estrutura geográfica e foco na viagem.


[1] O termo (Magnificat) refere-se ao cântico de louvor de Maria, mãe de Jesus, encontrado no Evangelho de Lucas, especificamente em Lucas 1:46-55. Este cântico é reconhecido por sua beleza poética e profundidade teológica, sendo uma das expressões mais significativas da adoração na tradição cristã.

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS


É o segundo livro do Novo Testamento e o mais curto dos quatro evangelhos canônicos, com uma narrativa dinâmica, concisa e cheia de ação que retrata Jesus como o Servo Fiel de Jeová, em constante movimento para cumprir sua missão de sofrimento e redenção. Como o mais antigo dos evangelhos sinópticos (hipótese da prioridade de Marcos, aceita pela maioria dos estudiosos), serve de fonte principal para Mateus e Lucas, fornecendo o núcleo narrativo de ações e milagres. O livro enfatiza a urgência do evangelho com o uso frequente da palavra "imediatamente" (ou sinônimos gregos como euthys), que aparece mais vezes aqui do que em todos os outros evangelhos juntos, criando um ritmo acelerado que reflete a pressa do Servo em servir e sacrificar-se. Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas modernas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter teológico e histórico.

Propósito

O propósito principal é apresentar Jesus Cristo como o Servo Sofredor de Jeová (baseado em Isaías 42:1; 52:13-53:12), que veio "não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10:45). Marcos visa fortalecer cristãos gentios enfrentando perseguições (possivelmente sob Nero), enfatizando o discipulado como caminho de sofrimento, o segredo messiânico (Jesus silencia revelações prematuras) e a vitória da ressurreição apesar do fracasso aparente dos discípulos. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca que Marcos convida à fé imediata e ao seguimento radical. Champlin vê como evangelho de ação, focado em obras mais que palavras, para um público romano. Beacon e Henry enfatizam a confirmação da identidade de Jesus como Filho de Deus, revelada na cruz (Mc 15:39).

Data e Local

Tradicionalmente entre 57-63 d.C., com local desconhecido (possivelmente Roma). A erudição moderna, incluindo Champlin e Beacon, data-o por volta de 65-70 d.C. (pouco antes ou após a destruição do Templo em 70 d.C.), baseado em Mc 13 (profecia da destruição) e uso como fonte por Mateus/Lucas. A Bíblia de Estudo de Genebra e Bruce (Comentário NVI) apoiam Roma ou Síria, em contexto de perseguição romana. Henry sugere uma data anterior, ligada à pregação de Pedro.

Autor

Atribuído a João Marcos (ou Marcos Evangelista), companheiro de Pedro e Paulo (At 12:12; 1 Pe 5:13; Cl 4:10). Não testemunha ocular, mas compilou memórias de Pedro. A tradição patrística (Papias, Ireneu) confirma isso. Champlin e Beacon aceitam a autoria, destacando estilo rude e dinâmico. Estudos modernos (Brown e Coenen) veem o autor como cristão gentio anônimo, usando fontes orais e escritas.

Tema

Jesus como o Servo Fiel de Jeová (Is 42:1-21; 52:13-53:12; Mc 10:45), com caráter de servo visto em fadiga, compaixão, amor e sofrimento. Ênfase em ações, milagres (20 registrados), segredo messiânico e discipulado como cruz. Champlin destaca detalhes humanos de Jesus; Beacon vê como Messias Sofredor; Henry enfatiza obediência e serviço.

Destinatário

Principalmente cristãos gentios de língua grega no Império Romano (Roma ou Síria), enfrentando perseguição. Explica costumes judaicos (Mc 7:3-4) para público não judeu. Champlin e Genebra notam foco em gentios, com salvação universal.

Versículos-chave

  • Mc 1:1: "Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus".
  • Mc 1:11; 9:7: Voz do Pai.
  • Mc 8:29: Confissão de Pedro.
  • Mc 10:45: Missão do Filho do Homem.
  • Mc 15:39: Confissão do centurião. Esses versos, destacados na Dakes e Henry, revelam a identidade de Jesus.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Servo.
  • João Marcos: Autor.
  • Pedro: Fonte principal.
  • João Batista: Precursor.
  • Discípulos (falham em compreender).
  • Centurião: Confissão final. Henry e Beacon destacam Jesus como central.

Lugares-chave

  • Galileia: Ministério principal.
  • Jerusalém: Paixão.
  • Jordão: Batismo.
  • Cesareia de Filipe: Confissão de Pedro. Champlin enfatiza movimento geográfico.

Estatísticas

O 41º livro da Bíblia, que é conhecido como o Evangelho de Marcos, é uma obra rica em conteúdo, contendo 16 capítulos e 678 versículos. Este livro se destaca por apresentar 121 perguntas que provocam reflexão e debate. Além disso, Marcos é notável por cumprir 11 profecias do Antigo Testamento, ao mesmo tempo em que introduz 30 novas profecias que expandem a mensagem divina.

A narrativa do Evangelho de Marcos é também marcada por suas dimensões históricas, com 582 versículos que tecem a história da vida e ministério de Jesus. Dentre as profecias, 43 versículos são considerados cumpridos, enquanto 53 versículos permanecem não cumpridos, mostrando o caráter contínuo da revelação divina.

Além disso, Marcos transmite 2 mensagens distintas de Deus, conforme registrado nos versículos 1.11 e 9.7, que enfatizam a importância de ouvir e seguir a vontade divina. Este livro é, portanto, uma fonte rica de ensinamentos e reflexões sobre a fé e a obra de Cristo.

A palavra "imediatamente" (ou sinónimos) é utilizada mais vezes neste evangelho do que nos outros três evangelhos juntos. A expressão grega "eutheos" aparece 80 vezes no Novo Testamento, sendo 40 dessas ocorrências no Evangelho de Marcos e as outras 40 distribuídas pelos restantes autores. É traduzida como "imediatamente", "rapidamente" ou "logo".

Além disso, o Evangelho de Marcos contém 31 versículos que relatam milagres exclusivos, destacando-se pela sua ênfase na ação e na urgência da mensagem de Jesus.

Estrutura

  • Introdução (1:1-13): Batismo e tentação.
  • Ministério na Galileia (1:14-8:30): Milagres, chamadas, conflitos.
  • Caminho para Jerusalém (8:31-10:52): Predições da paixão, discipulado.
  • Em Jerusalém (11-13): Entrada triunfal, templo, discurso escatológico.
  • Paixão e ressurreição (14-16): Última Ceia, crucificação, túmulo vazio. Beacon e Henry destacam foco na paixão (um terço do livro).

Essa introdução ampliada integra a fonte Dakes com perspectivas teológicas e acadêmicas, destacando Marcos como evangelho urgente que convida ao discipulado fiel em tempos de sofrimento.

EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

É o primeiro livro do Novo Testamento e um dos quatro evangelhos canônicos. Ele apresenta Jesus Cristo como o Messias prometido nas Escrituras do Antigo Testamento, o Rei que cumpre as profecias e inaugura o Reino dos Céus. Com uma estrutura pedagógica organizada em torno de cinco grandes discursos (paralelizando o Pentateuco), Mateus combina narrativas da vida de Jesus com ensinamentos extensos, enfatizando o cumprimento da Lei e dos Profetas. Este evangelho serve como ponte entre o Antigo e o Novo Testamento, destacando Jesus como o novo Moisés que traz uma justiça superior. Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e outros, esta introdução oferece uma visão ampla, incorporando perspectivas históricas, teológicas e contextuais.

Propósito

O propósito principal é demonstrar que Jesus é o Messias prometido, o cumprimento das profecias do Antigo Testamento, e estabelecer os princípios do Reino dos Céus para uma comunidade de cristãos de origem judaica. Mateus visa encorajar os leitores a reconhecerem Jesus como o Rei davídico e a viverem segundo os ensinamentos éticos do evangelho, combatendo o legalismo farisaico e promovendo a missão universal. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca que Mateus mostra Jesus como o cumprimento da Lei e dos Profetas (Mt 5:17), enquanto Champlin enfatiza a defesa da autoridade de Jesus contra oposições judaicas. No Comentário Bíblico Beacon, o propósito é revelar Jesus como o Messias que inaugura uma nova era de salvação, com foco na justiça superior. Henry ressalta a preparação dos judeus para a inclusão dos gentios na igreja.

Data e Local

A data tradicional da Bíblia Dakes é 37 d.C. na Judeia, mas a maioria dos estudiosos modernos, incluindo Champlin e Beacon, data-o entre 80-90 d.C. (ou 70-85 d.C.), após a destruição do Templo em 70 d.C., com base na dependência de Marcos e alusões a eventos pós-70 (ex.: Mt 22:7; 24:1-2). O local provável é Antioquia da Síria, uma comunidade mista de judeus e gentios, conforme sugerido pela Bíblia de Estudo de Genebra e Henry. Bruce (Comentário NVI) apoia uma composição em contexto helenizado, possivelmente na Síria ou Palestina.

Autor

Atribuído a Mateus (Levi), o publicano e apóstolo (Mt 9:9; 10:3), filho de Alfeu. A tradição patrística (Papias, Ireneu) confirma a autoria apostólica, sugerindo que escreveu inicialmente em hebraico/aramaico para judeus. Champlin e Beacon aceitam Mateus como autor, destacando seu interesse em detalhes contábeis e cumprimento profético. Estudos modernos (como em Brown e Coenen) veem o autor como um cristão judeu culto, possivelmente anônimo, que compilou fontes (Marcos, Q e material exclusivo). Henry enfatiza a transformação de Mateus de cobrador de impostos para testemunha ocular.

Tema

Jesus Cristo como o Rei de Jeová e Messias que cumpre as profecias do Antigo Testamento (mais de 60 citações, com fórmulas como "para que se cumprisse"). O Reino dos Céus (expressão usada 32 vezes) é apresentado como presente e futuro, com ênfase na justiça, misericórdia e discipulado. Champlin vê como teologia do cumprimento messiânico; Beacon destaca Jesus como novo Moisés; Henry enfatiza a obediência à Lei reinterpretada por Cristo.

Destinatário

Principalmente cristãos de origem judaica em uma comunidade como Antioquia da Síria, enfrentando tensões com o judaísmo rabínico pós-70 d.C. Mateus explica menos costumes judaicos, assumindo familiaridade, mas convida à missão universal (Mt 28:19). A Bíblia de Estudo de Genebra e Champlin notam o foco em judeus convertidos, com inclusão de gentios.

Versículos-chave

  • Mt 1:23: "Emanuel" (Deus conosco).
  • Mt 5:17: "Não vim revogar a Lei ou os Profetas; vim cumprir".
  • Mt 16:18: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja".
  • Mt 28:18-20: Grande Comissão. Esses versos, destacados na Dakes e Henry, resumem a identidade messiânica e missão.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista.
  • Mateus (Levi): Autor e apóstolo.
  • José e Maria: Pais terrenos.
  • João Batista: Precursor.
  • Pedro: Líder apostólico.
  • Fariseus e escribas: Opositores. Henry e Beacon destacam Jesus como figura central, com paralelos a Moisés.

Lugares-chave

  • Belém: Nascimento.
  • Nazaré: Infância.
  • Jerusalém: Templo, paixão.
  • Galileia: Ministério principal.
  • Egito: Fuga. Champlin e Genebra enfatizam o contexto palestino e judeu.

Estatísticas

O 40º livro da Bíblia é o Evangelho de Mateus, que contém 28 capítulos e um total de 1.071 versículos. Este evangelho é notável por incluir 177 perguntas e 25 profecias do Antigo Testamento, além de 47 novas profecias. Entre seus versículos, 815 são relacionados a histórias, enquanto 256 versículos abordam profecias, das quais 164 ainda não foram cumpridas e 92 já se realizaram. Mateus apresenta 2 mensagens distintas de Deus, encontradas em Mateus 3.17 e 17.5. Um aspecto marcante deste evangelho é que ele cita extensivamente o Antigo Testamento, fazendo mais de 60 referências, muitas vezes utilizando fórmulas de cumprimento para destacar a realização das profecias. Isso evidencia a intenção de Mateus em conectar a nova mensagem de Jesus às Escrituras judaicas, reforçando a continuidade e a validade da fé cristã a partir de suas raízes hebraicas.

Estrutura

Mateus organiza o material em cinco grandes discursos (modelo de B.W. Bacon e Champlin), paralelizando o Pentateuco, com narrativas intercaladas:

  • Prólogo: Genealogia e infância (caps. 1-2).
  • 1º: Sermão da Montanha (5-7).
  • 2º: Discurso Missionário (10).
  • 3º: Discurso das Parábolas (13).
  • 4º: Discurso sobre a Igreja (18).
  • 5º: Discurso Escatológico (24-25).
  • Paixão, morte e ressurreição (26-28). Beacon e Henry destacam a divisão doutrinária (1-11) e prática (12-28).

Essa introdução ampliada combina a fonte Dakes com perspectivas acadêmicas e teológicas, destacando Mateus como evangelho catequético que convida à fé em Jesus como Messias e ao discipulado ético.

Por que Eliseu recusou a oferta de Naamã?

 


Texto-base: 2 Reis 5.1–27

1. Contexto histórico e bíblico

Naamã, comandante do exército sírio, é curado da lepra após obedecer à palavra do profeta Eliseu. Curado, retorna oferecendo grandes riquezas como gratidão (2Rs 5.15). Eliseu recusa.

2. A recusa como ensino sobre a graça

Eliseu deixa claro que o poder de Deus não está à venda. A cura é resultado da graça soberana do Senhor, não de mérito humano.

Base teológica:

  • A graça bíblica é gratuita e não negociável (Ef 2.8–9).

Comentário:
Matthew Henry afirma que aceitar o presente “obscureceria a glória de Deus, transferindo-a para o profeta”.

3. Integridade e ética do ministério profético

Aceitar a oferta poderia:

  • comprometer a autoridade espiritual de Eliseu

  • associar o ministério profético à ganância

  • gerar escândalo diante de Israel e das nações

Comentário:
John Gill destaca que Eliseu quis evitar qualquer associação entre dons espirituais e lucro material.

4. Correção do pensamento pagão de Naamã

Naamã vem de um sistema religioso onde sacerdotes eram pagos. Eliseu corrige essa visão mostrando que:

  • Deus age por aliança, não por troca

  • O Senhor é livre para curar sem compensação humana

Comentário histórico-teológico:
Keil & Delitzsch observam que a recusa teve caráter pedagógico e missionário.

5. O contraste com Geazi

A narrativa culmina no pecado de Geazi (2Rs 5.20–27).
O autor bíblico cria um contraste intencional:

  • Eliseu: fidelidade e temor do Senhor

  • Geazi: ganância e juízo

Aplicação teológica:
A graça rejeita a mercantilização da fé.

ARTIGO TEOLÓGICO (Síntese Acadêmica)

        A recusa de Eliseu à oferta de Naamã não é apenas um ato de rejeição, mas um profundo ensinamento ético-teológico que ressoa ao longo da tradição profética de Israel. Este gesto ressalta a natureza gratuita e soberana da ação salvífica de Deus, destacando a visão de que suas bênçãos não estão à venda e são concedidas a quem Ele deseja, sem a necessidade de compensações humanas.

        O episódio com Naamã e Eliseu serve para confrontar e desafiar sistemas religiosos que operam sob a lógica da barganha espiritual. Essa dimensão da narrativa bíblica é crucial, pois estabelece um princípio que permeia toda a Escritura: os dons divinos não se podem comprar ou trocar, sendo um reflexo da graça e misericórdia de Deus, que não são condicionais às obras humanas, mas liberais pela sua própria natureza.

        A subsequente punição de Geazi, o servo de Eliseu, reforça ainda mais o alerta contra a exploração religiosa e a corrupção que pode surgir quando o ministério é desvirtuado em busca de ganhos pessoais. A pena imposta a Geazi serve de advertência para todos que podem ser tentados a buscar lucro ou reconhecimento através do ministério religioso, mantendo assim a santidade do chamado profético diante das nações.

        Além disso, a narrativa nos convoca a refletir sobre as motivações que movem tanto líderes quanto seguidores na vida comunitária da fé. Em um mundo onde frequentemente a lógica do mercado invade as esferas espirituais, a recusa de Eliseu à oferta de Naamã se torna um símbolo de resistência contra a mercantilização da espiritualidade. A história de Eliseu nos desafia a reavaliar nossos próprios comportamentos e as práticas religiosas, assegurando que permaneçamos firmes nos princípios de integridade, gratuidade e pureza de intenção no serviço ao Senhor.

        Portanto, a lição passada por Eliseu é não apenas um marco ético na tradição profética, mas uma diretriz que permanece relevante para os dias atuais, reafirmando a necessidade de uma fé autêntica que rejeita qualquer forma de manipulação ou exploração em nome do evangelho. Essa compreensão rica nos convida a cultivar uma relação sincera com Deus, baseada na fé e na confiança, em vez de um sistema de recompensas e trocas.

CONCLUSÃO TEOLÓGICA

Eliseu recusou a oferta de Naamã para:

  1. Proteger a doutrina da graça

  2. Preservar a integridade ministerial

  3. Ensinar um gentio sobre o verdadeiro Deus

  4. Condenar a comercialização da fé

  5. Estabelecer um padrão ético para líderes espirituais

Esse princípio é reafirmado no Novo Testamento (At 8.18–20).


BIBLIOGRAFIA (ordem alfabética)

CAPÍTULOS, VERSÍCULOS EM CADA LIVRO DA BÍBLIA

 Neste artigo, vamos explorar a organização dos capítulos e versículos na Bíblia, entender sua importância e refletir sobre como essa divisão pode impactar nossa leitura espiritual.

A Bíblia é composta por um total de 1.189 capítulos, dos quais 929 pertencem ao Antigo Testamento e 260 ao Novo Testamento.

Quanto aos versículos, são 31.106 no total, sendo 23.148 no Antigo Testamento e 7.958 no Novo Testamento.

        Estes números podem variar ligeiramente entre diferentes traduções. Por exemplo, a versão Almeida Revista e Atualizada contém 31.105 versículos, uma diferença que ocorre devido a alterações como a divisão do final de 1 Samuel 20:42 em um versículo adicional (43), algo que não acontece em outras edições mais recentes. Já na Almeida Revista e Corrigida, há também diferenças, como no final de Juízes 5:31, que é transformado no versículo 32 na Almeida Revista e Atualizada. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) apresenta um total de 31.103 versículos, enquanto a versão King James (1611) tem ainda menos, com 31.102, porque combina os versículos 14 e 15 de 3 João.

        De acordo com estudiosos da Bíblia como Orlando Boyer e Antônio Gilberto, algumas edições da Bíblia chegaram a incluir 31.173 versículos (23.214 no Antigo Testamento e 7.959 no Novo Testamento). Contudo, ao longo das várias impressões e revisões, ocorreram ajustes que resultaram em pequenas variações nos números finais. Atualmente, as Bíblias em português apresentam ligeiras diferenças dependendo da tradução utilizada.


O ANTIGO TESTAMENTO Números de Capítulos e Versículos

Livro   

Cap

Ver

Livro   

Cap

Ver

 

Gênesis

50

1.533

Eclesiastes

12

222

 

Êxodo

40

1.213

Cantares    

8

117

 

Levítico  

27

859

Isaías        

66

1.292

 

Números

36

1.288

Jeremias   

52

1.364

 

Deuteronômio

34

959

Lamentações

5

154

 

Josué

24

658

Ezequiel      

48

1273

 

Juízes

21

619

Daniel       

12

357

 

Rute

4

85

Oséias       

14

197

 

1Samuel

31

811

Joel             

3

73

 

2Samuel

24

695

Amós           

9

146

 

1Reis

22

817

Obadias       

1

21

 

2Reis

25

719

Jonas          

4

48

 

1Crônicas

29

942

Miquéias     

7

105

2Crônicas

36

822

Naum         

3

47

Esdras

10

280

Habacuque 

3

56

Neemias

13

406

Sofonias                  

3

53

Ester

10

167

Ageu 

2

38

42

1.070

Zacarias   

14

211

Salmos

150

2.461

Malaquias

4

55

Provérbios

31

915

 

 

 

            

Totais Capítulos 929 Versículos 23.148.

O NOVO TESTAMENTO Números de Capítulos e Versículos

Livro               

Cap.  

Ver.

Livro               

Cap.   

Ver.

Mateus

28

1.071

1Timóteos

6

113

Marcos

16

678

2Timóteos

4

83

Lucas

24

1.151

Tito

3

46

João

21

879

Filemom

1

25

Atos

28

1.007

Hebreus

13

303

Romanos

16

433

Tiago

5

108

1Coríntios

16

437

1Pedro

5

105

2Coríntios

13

256

2Pedro

3

61

Gálatas

6

149

1João

5

105

Efésios

6

155

2João

1

13

Filipenses

4

104

3João

1

15

Colossenses

4

95

Judas

1

25

1Tesssalonise

5

89

Apocalipses

22

405

2Tesssalonise

3

47

 

 

 

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Totais AT Capítulos 929 Versículos 23.148

Sub. Totais: capítulos 1.189 versículos 31.106. (ARC).