Introdução ao Livro de Ester

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 livro de Ester, o décimo sétimo da Bíblia e inserido nos livros históricos, narra a história de uma jovem judia que se torna rainha da Pérsia e, por meio de coragem e providência divina, salva seu povo de um genocídio planejado, durante o reinado de Assuero (Xerxes). Baseado na Bíblia de Estudo Dakes, que destaca anotações sobre a ausência do nome de Deus, mas presença implícita em coincidências providenciais e festas como Purim, esta introdução é ampliada com perspectivas de outras fontes evangélicas, integrando análises teológicas, históricas e aplicativas para uma visão mais abrangente. Ele enfatiza como Deus opera nos bastidores para proteger Seu povo, incentivando crentes a confiarem na soberania divina em tempos de perseguição, apontando para Cristo como o Salvador definitivo.

Propósito

O propósito principal é registrar o livramento dos judeus no exílio persa, ilustrando a providência divina em preservar a nação e estabelecer a festa de Purim, servindo como lição de fé e coragem contra o mal. De acordo com a Bíblia de Estudo Dakes, o livro demonstra que "coincidências" são intervenções de Deus, advertindo contra antissemitismo e promovendo gratidão. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal aplica isso à vida cotidiana, incentivando crentes a agirem com ousadia em crises. O Comentário Bíblico Beacon destaca o aspecto pentecostal de empoderamento feminino (Ester). Matthew Henry, em seu Comentário, foca na aplicação devocional: Ester revela Deus frustrando planos malignos, tipificando vitória sobre o mal. Champlin, no Comentário Bíblico Exaustivo, nota o propósito histórico-teológico de explicar origens de Purim. Bruce, no Comentário Bíblico NVI, enfatiza identidade judaica no exílio, promovendo fidelidade cultural.

Data e Local

Datado de aproximadamente 460-400 a.C., eventos entre 483-473 a.C. (reinado de Xerxes), escrito possivelmente no século V-IV a.C., no Império Persa ou Judá. A Bíblia de Estudo Dakes situa no período persa pós-exílio. A Bíblia de Estudo de Genebra confirma o século V a.C., em Susã (capital persa). Champlin sugere influência de tradições orais, no exílio. O Dicionário da Bíblia de Davis detalha locais como Susã (palácio) e províncias persas.

Autor

Tradicionalmente Mordecai (Et 9:20-23), ou anônimo judeu familiarizado com a corte persa. A Bíblia de Estudo Dakes confirma Mordecai como compilador inspirado. A Bíblia de Estudo de Genebra reforça autoria mordecaica. Henry o vê como registro providencial. Champlin discute consistência com fontes persas, mantendo Mordecai. O Comentário Bíblico Beacon e Bruce concordam, destacando testemunho eyewitness.

A posição crítica sobre o autor

A análise crítica sobre a autoria do Pentateuco evoluiu ao longo dos tempos, conforme indicado por Ryrie (1994, p. 5). Inicialmente, o livro de Génesis foi separado em dois documentos distintos, com base na utilização de dois nomes diferentes para Deus: Elohim e Yaweh. Já por volta de 1875, Julius Wellhausen apresentou a teoria dos quatro documentos, que sugeria que o Pentateuco foi elaborado a partir de quatro fontes independentes. Estas fontes seriam: J, escrita por um autor desconhecido em Judá por volta de 850 a.C.; E, atribuída a outro autor desconhecido no Reino do Norte, Israel, por volta de 750 a.C.; D, associada ao sumo sacerdote durante as reformas do rei Josias em 621 a.C.; e P, composta entre os períodos de Ezequiel e Esdras, entre 600 e 450 a.C.

Contudo, as descobertas arqueológicas realizadas, especialmente após a Primeira Guerra Mundial, têm vindo a confirmar a precisão histórica do Pentateuco. Estas evidências revelaram práticas culturais comuns no segundo milénio a.C., mas que foram abandonadas no milénio seguinte. Tais descobertas levantam dúvidas sobre como um autor poderia ter conhecimento dessas tradições, como por exemplo, o direito do primogénito a uma porção dobrada, a venda do direito de primogenitura ou a validade de um testamento oral, sem ter vivido no período em que estas práticas eram comuns (exemplo: Génesis 48:17-20).

É amplamente aceite que Moisés utilizou registos escritos e tradições orais sobre os eventos históricos anteriores à sua vida para compilar o Pentateuco. Sob inspiração divina, ele documentou esses acontecimentos, embora o relato da sua morte tenha sido escrito por outra pessoa, como descrito em Deuteronómio 34.

Tema

O tema central é a providência divina: Deus protege Seu povo por meios "ocultos", com ênfase em jejum, oração e ação corajosa. A Bíblia de Estudo Dakes enfatiza ausência de Deus nominal mas presença em reversões (Et 4:14). A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal aplica à confiança em crises. A Bíblia de Estudo de Genebra foca na soberania. Henry vê graça na salvação, apontando para Cristo. Champlin explora temas de ironia e festa. Bruce destaca preservação étnica.

Destinatário

Os judeus dispersos, para celebrar Purim e reafirmar identidade. Como na Bíblia de Estudo de Genebra, lições para diáspora. O Comentário Bíblico Beacon estende a crentes. Henry aplica a cristãos perseguidos.

Versículos-chave

  • Ester 4:14: "Quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada ao reino?" – Propósito divino (Dakes e Champlin).
  • Ester 4:16: "Se perecer, pereci" – Coragem (Aplicação Pessoal e Genebra).
  • Ester 8:17: Alegria e conversões (Henry e Bruce).
  • Ester 9:22: Festa de Purim (Beacon e Davis).
  • Ester 2:17: Ester coroada (Dakes).

Pessoas-chave: Ester (rainha heroína), Mordecai (tio e conselheiro), Assuero/Xerxes (rei), Hamã (vilão), Vasti (rainha deposta), Bigtã e Teres (conspiradores). Dakes destaca Ester como tipo de intercessora.

Lugares-chave

Susã (capital e palácio), províncias persas (de Índia a Etiópia), cidadela de Susã, portas do rei, praça da cidade. Davis fornece contextos, Bruce discute império persa.

Estatísticas

Baseado na Bíblia de Estudo Dakes. Ester contém 10 capítulos, 167 versículos, aproximadamente 5.637 palavras, 10 perguntas, 2 profecias, sem mensagens diretas de Deus (único na Bíblia), 50 comandos, 5 promessas, 4 festas mencionadas.

Estrutura

Dividido em Ascensão de Ester (caps. 1-2: banquete, deposição de Vasti, seleção de Ester), Plano de Hamã (caps. 3-5: edito, jejum, banquetes), Livramento (caps. 6-10: honra a Mordecai, reversão, Purim). Dakes delineia ironias providenciais. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal descreve progressão de ameaça a triunfo. Champlin destaca unidade narrativa, Henry aplica moralmente, Bruce nota ciclos de perigo e salvação.


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