EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

 

É o terceiro livro do Novo Testamento e o mais longo dos quatro evangelhos canônicos. Ele forma, junto com o Livro dos Atos dos Apóstolos, uma obra literária em dois volumes (Lucas-Atos), considerada a maior contribuição individual ao Novo Testamento (cerca de 24-27,5% do total). Lucas apresenta Jesus como o Filho do Homem, o Homem Ideal e Salvador compassivo que busca e salva os perdidos, com ênfase especial na misericórdia, inclusão social (pobres, mulheres, marginalizados, gentios) e universalidade da salvação. Seu estilo literário refinado, influenciado pela Septuaginta e pela historiografia greco-romana, inclui narrativas detalhadas, cânticos poéticos (Magnificat, Benedictus, Nunc Dimittis) e 38 seções exclusivas (parábolas como o Bom Samaritano e o Filho Pródigo, milagres e eventos da infância). Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas modernas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter histórico-teológico e inclusivo.

Propósito

O propósito é fornecer uma narrativa ordenada e investigada dos fatos sobre Jesus (Lc 1:1-4), para que o leitor (Teófilo) tenha certeza da verdade ensinada. Lucas visa apresentar Jesus como Salvador universal, enfatizando misericórdia, oração, inclusão dos excluídos e salvação "hoje". A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca o foco na compaixão de Jesus pelos pobres e marginalizados. Champlin vê como evangelho da salvação para todos, com forte ênfase no Espírito Santo e na conversão. Beacon e Henry ressaltam a continuidade da história da salvação do AT para o NT, preparando o caminho para Atos.

Data e Local

Cerca de 58-63 d.C., com local desconhecido (possivelmente durante a prisão de Paulo em Roma ou Cesareia). A erudição moderna (Champlin, Beacon, Bruce) data-o entre 80-90 d.C., após Marcos (fonte principal) e a destruição do Templo (alusões em Lc 21). A Bíblia de Estudo de Genebra e Henry apoiam uma data anterior. O local provável é uma região helenizada, como Antioquia da Síria ou Grécia.

Autor

Lucas, o "médico amado" (Cl 4:14), companheiro de Paulo (seções "nós" em Atos). Gentio convertido, historiador culto, escreveu em grego refinado com vocabulário médico e 266 palavras exclusivas no NT. A tradição patrística (Ireneu) confirma a autoria. Champlin e Beacon aceitam Lucas como autor; estudos modernos (Brown e Coenen) veem-no como cristão gentio educado, usando fontes (Marcos, Q, L). Henry destaca sua precisão investigativa.

Tema

Jesus Cristo como o Homem Ideal de Jeová (Zc 6:12), dependente do Pai, compassivo com excluídos (pobres, mulheres, samaritanos, pecadores). Ênfase em misericórdia, oração, salvação universal, alegria e ação do Espírito Santo. Champlin destaca detalhes humanos e inclusão; Beacon vê como teologia da salvação "hoje"; Henry enfatiza conversão e dependência de Deus.

Destinatário

Cristãos gentios, ou comunidades mistas, dedicadas a Teófilo ("amigo de Deus"), inseridas em contextos helenizados enfrentando perseguições ou incertezas. O texto explica costumes judaicos para um público predominantemente não judeu. Champlin e Genebra destacam o enfoque nos gentios, com uma mensagem de salvação universal. Teófilo, nome romano comum, levanta uma questão intrigante: quem era este homem mencionado apenas aqui e em Atos 1:1? Josefo, historiador judeu, menciona dois sumos sacerdotes com este nome. No entanto, no contexto bíblico, Teófilo é descrito como alguém "instruído" na vida de Cristo (v. 4). Poderia tratar-se de uma figura influente na sociedade romana ou judaica, talvez um patrono ou oficial romano interessado no cristianismo? Ou seria um título simbólico, representando "amigo de Deus"? A ausência de informações concretas deixa-nos a ponderar sobre o papel exato de Teófilo e sua relevância na narrativa bíblica.

Versículos-chave

  • Lc 1:46-55 (Magnificast)[1].
  • Lc 2:11 (Salvador nascido).
  • Lc 4:18-19 (Missão de Jesus).
  • Lc 15:7 (Alegria no céu por pecador arrependido).
  • Lc 19:10 (Veio buscar e salvar o perdido).
  • Lc 24:47 (Arrependimento e perdão). Destacados na Dakes e Henry, resumem misericórdia e salvação.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Filho do Homem.
  • Lucas: Autor.
  • Maria: Figura central na infância.
  • João Batista: Precursor.
  • Mulheres (Maria Madalena, Marta, etc.): Destaque único.
  • Zaqueu, publicano: Conversão. Henry e Beacon destacam inclusão de marginalizados.

Lugares-chave

  • Nazaré: Infância.
  • Belém: Nascimento.
  • Galileia: Ministério.
  • Samaria: Inclusão.
  • Jerusalém: Paixão e ascensão.
  • Caminho para Jerusalém (9:51-19:27): Viagem central. Champlin enfatiza geografia progressiva.

Estatísticas

42º livro da Bíblia; 24 capítulos; 1.151 versículos; 165 perguntas; 9 profecias do AT; 54 novas profecias; 930 versículos de história; 118 versículos cumpridos e 103 versículos de profecias não cumpridas. 38 partes exclusivas que não aparecem noutros evangelhos:

1.      6 Milagres exclusivos:

·         A pesca milagrosa (5.4-11);

·         A ressurreição do filho da viúva de Naim (7.11-18);

·         A cura de uma mulher encurvada (13.11-17);

·         A cura de um homem com hidropisia (14.1-6);

·         A cura de dez leprosos (17.11-19);

·         A cura da orelha do servo de Malco (22.50,51).

2.      10 Parábolas únicas:

·         Os dois devedores (7.41-43);

·         O bom samaritano (10.30-37);

·         O amigo importuno (11.5-8);

·         O rico insensato (12.16-21);

·         A figueira estéril (13.6-9);

·         A dracma perdida (15.8-10);

·         O filho pródigo (15.11-32);

·         O juiz iníquo (18.1-8);

·         O fariseu e o publicano (18.9-14).

3.      22 Discursos e acontecimentos específicos:

·         O nascimento e infância de João Batista e Jesus (1.5-80; 2.1-52);

·         O diálogo com os publicanos e soldados (3.10-14);

·         O envio dos setenta discípulos (10.1-20);

·         O encontro com Zaqueu (19.1-10);

·         O lamento sobre Jerusalém (19.41-44);

·         A agonia no Getsémani (22.44);

·         O julgamento de Jesus por Herodes (23.7-12);

·         As mulheres que choram no caminho para a cruz (23.27-31);

·         As palavras de perdão e salvação na cruz (23.34,40-43);

·         A ascensão de Jesus (24.50-53).

É o maior dos Evangélicos  não em número de versículos mais em palavras no grego original (aproximadamente 19.482 palavras gregas, superando Mateus com cerca de 18.345, João com 15.635 e Marcos com 11.304).

Estrutura

  • Prólogo (1:1-4): Propósito.
  • Infância e preparação (1:5-4:13): Nascimentos, batismo, tentações.
  • Ministério na Galileia (4:14-9:50): Milagres, Sermão da Planície.
  • Viagem para Jerusalém (9:51-19:27): Parábolas exclusivas, discipulado.
  • Em Jerusalém (19:28-21:38): Entrada triunfal, ensinamentos.
  • Paixão, ressurreição e ascensão (22-24). Beacon e Henry destacam estrutura geográfica e foco na viagem.


[1] O termo (Magnificat) refere-se ao cântico de louvor de Maria, mãe de Jesus, encontrado no Evangelho de Lucas, especificamente em Lucas 1:46-55. Este cântico é reconhecido por sua beleza poética e profundidade teológica, sendo uma das expressões mais significativas da adoração na tradição cristã.

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