EVANGELHO SEGUNDO JOÃO


É o quarto livro do Novo Testamento e o mais distinto dos evangelhos canônicos, com uma abordagem teológica profunda e simbólica que enfatiza a divindade de Jesus Cristo como o Verbo eterno (Logos) encarnado, o Filho de Deus que revela o Pai e oferece vida eterna aos que creem. Diferente dos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), que compartilham narrativas semelhantes, João é altamente seletivo: apenas 7 eventos aparecem nos outros evangelhos (palavras de João Batista, Última Ceia, unção em Betânia, paixão, ressurreição, multiplicação dos pães para 5.000 e caminhada sobre o mar), enquanto o restante é peculiar a João, incluindo milagres como o de Caná, a ressurreição de Lázaro e discursos extensos como o "Eu Sou". Juntos, os quatro evangelhos apresentam uma concepção completa de Jesus: Rei ideal (Mateus), Servo ideal (Marcos), Homem ideal (Lucas) e Deus ideal (João). O livro usa sete "sinais" milagrosos e sete declarações "Eu Sou" para revelar a identidade divina de Jesus, culminando na Oração Intercessória e na paixão como glorificação. Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter cristológico elevado e sua ênfase na fé como caminho para a vida eterna.

Propósito

O propósito é convencer os leitores a crerem que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, para que tenham vida em seu nome (Jo 20:31). João visa revelar a divindade de Jesus, combater heresias como o gnosticismo e o docetismo (que negavam a humanidade plena de Cristo), e promover a fé como união íntima com Deus. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca o foco em sinais que apontam para a glória de Cristo. Champlin vê como evangelho da revelação divina, enfatizando o Logos como criador e redentor. Beacon e Henry ressaltam a chamada à fé pessoal e à comunhão eterna com o Pai.

Data e Local

Cerca de 90 d.C., com local desconhecido (provavelmente Éfeso, na Ásia Menor). A erudição moderna (Champlin, Beacon, Bruce) data-o entre 90-110 d.C., baseado no Papiro P52 (fragmento mais antigo, ca. 125 d.C.) e contexto pós-destruição do Templo (alusões em Jo 2:19-21). A Bíblia de Estudo de Genebra e Henry apoiam uma data tardia, ligada à comunidade joanina em Éfeso.

Autor

João, o discípulo amado (Jo 13:23; 19:26; 21:20-24), apóstolo e irmão de Tiago. Presente em eventos chave, cuidou de Maria e foi pilar da igreja (Gl 2:9). A tradição patrística (Ireneu, Papias) confirma a autoria apostólica. Champlin e Beacon aceitam João como autor; estudos modernos (Brown e Coenen) veem uma "comunidade joanina" influenciada por testemunhas oculares. Henry destaca sua intimidade com Jesus.

Tema

Jesus Cristo como Deus, Messias e Filho de Jeová, com divindade afirmada (Jo 1:1-14; 8:58; 20:28). Ênfase em vida eterna pela fé, luz vs. trevas, amor e glorificação na cruz. Champlin destaca testemunhos da divindade (Pai, Filho, Espírito, obras); Beacon vê cristologia alta; Henry enfatiza encarnação e salvação.

Destinatário

Comunidade joanina (judeus e gentios) em Éfeso ou Ásia Menor, enfrentando heresias e perseguições. Champlin e Genebra notam foco em cristãos maduros precisando de aprofundamento teológico.

Versículos-chave

  • Jo 1:1,14: "No princípio era o Verbo... e o Verbo se fez carne".
  • Jo 3:16: "Deus amou o mundo".
  • Jo 8:58: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou".
  • Jo 11:25: "Eu sou a ressurreição e a vida".
  • Jo 14:6: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".
  • Jo 20:31: Propósito do livro. Destacados na Dakes e Henry.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Verbo encarnado.
  • João, discípulo amado: Autor e testemunha.
  • João Batista: Precursor.
  • Maria, mãe de Jesus.
  • Discípulos (Pedro, Tomé, Judas).
  • Nicodemos, samaritana, Lázaro. Henry e Beacon destacam relações pessoais.

Lugares-chave

  • Caná: Primeiro sinal.
  • Jerusalém: Festas e templo.
  • Samaria: Conversão da mulher.
  • Betânia: Ressurreição de Lázaro.
  • Getsêmani e Calvário: Paixão. Champlin enfatiza simbolismo geográfico.

Estatísticas

43º livro da Bíblia; 21 capítulos; 879 versículos; 167 perguntas; 16 profecias do AT cumpridas; 43 novas profecias; 85 versículos de profecias cumpridas e 7 versículos de profecias não cumpridas. Contém cerca de 15.635 palavras no grego original (menor que Lucas e Mateus, mas denso teologicamente). Somente 7 acontecimentos aparecem nos outros evangelhos; o resto é exclusivo.

Estrutura

  • Prólogo (1:1-18): Verbo eterno.
  • Livro dos Sinais (1:19-12:50): Sete milagres e revelação pública.
  • Livro da Glória (13-20): Última Ceia, discurso de adeus, paixão, ressurreição.
  • Epílogo (21): Aparição no mar e restauração de Pedro. Beacon e Henry destacam divisão em revelação e glorificação.

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