O LIVRO DA CONSUMAÇÃO E DA PLENITUDE DO NÚMERO SETE
O
Apocalipse apresenta oito características principais:
Este
é o único livro do Novo Testamento que aborda profecias apocalípticas.
Sendo
um texto apocalíptico, a sua mensagem é transmitida por meio de símbolos que
representam realidades futuras, envolvendo acontecimentos e períodos. Contudo,
essa mensagem possui um caráter enigmático ou misterioso.
Existe
uma abundância de números mencionados no Apocalipse, como 2, 3, 3 1/2, 4, 5, 6,
7, 10, 12, 24, 42, 144, 666, 1000, 1260, 7000, 12.000, 144.000, 100.000.000 e
200.000.000.
O
número sete tem um destaque especial no livro, sendo mencionado 54 vezes e
simbolizando a plenitude ou realização completa.
As
visões são uma parte marcante do texto, com o cenário alternando frequentemente
entre o céu e a terra.
Os
anjos desempenham um papel importante nas visões, estando ligados a ordens e
decretos celestiais.
O
Apocalipse denuncia como demoníaca qualquer postura de governantes terrenos que
se autoproclamem divinos, enquanto exalta Jesus Cristo como o Senhor supremo e
soberano dos reis da terra (Apocalipse 1:5; 19:16).
Por
fim, o livro reflete os conteúdos das profecias do Antigo Testamento, embora
não as cite diretamente.
O
LIVRO E AS SUAS CARACTERÍSTICAS
Uma
das marcas distintivas do livro é a presença constante do número sete,
mencionado 54 vezes no Apocalipse. Além disso, são destacados 18 grupos de
elementos relacionados ao número sete:
7
bem-aventuranças (Apocalipse 1:3);
7
igrejas situadas na Ásia Menor (Apocalipse 1:4-11), região que corresponde
atualmente a uma parte da Turquia Asiática;
7
espíritos (Apocalipse 1:4);
7
candelabros de ouro (Apocalipse 1:12);
7
estrelas (Apocalipse 1:16);
7
taças de ouro (Apocalipse 15:7);
7
reis (Apocalipse 17:10);
7
selos (Apocalipse 5:1);
7
chifres e 7 olhos (Apocalipse 5:6);
7
trombetas (Apocalipse 8:2);
7
trovões (Apocalipse 10:3);
7
sinais (Apocalipse 12:1,3; 13:13,14; 15:1; 16:14; 19:20);
7
coroas (Apocalipse 12:3);
7
pragas (Apocalipse 15:6).
O
número 7 é frequentemente associado à ideia de completude e perfeição. No livro
de Apocalipse, encontramos menções a sete anjos, que podem ser interpretados
como agentes humanos (capítulo 1:20 e seguintes) ou agentes divinos.
Além
disso, há a descrição de um grande dragão vermelho que possui "sete
cabeças" e "sete diademas" (Apocalipse 12:3). Também é mencionada
uma besta semelhante a um leopardo que apresenta "sete cabeças"
(Apocalipse 17:3). Por fim, é dito que essas "sete cabeças"
representam sete montes (Apocalipse 17:9-10).
Na
segunda metade da septuagésima semana profética mencionada em Daniel (9:27),
surgem sete figuras centrais que desempenham papéis importantes:
A
mulher (Apocalipse 12:1 e seguintes);
O
dragão (Apocalipse 12:3 e seguintes);
O
menino (Apocalipse 12:5 e seguintes);
Miguel,
o Arcanjo (Apocalipse 12:7);
A
descendência da mulher (Apocalipse 12:17);
A
besta que emerge do mar (Apocalipse 13:1 e seguintes);
A
besta que surge da terra (Apocalipse 13:11 e seguintes).
No
capítulo 14 do Apocalipse, são descritas sete visões distintas, cada uma delas
sendo independente e completa por si só:
Uma
voz vinda do céu (Apocalipse 14:1-5);
Um
anjo a voar no céu (Apocalipse 14:6-7);
Outro
anjo proclamando a queda da Babilónia (Apocalipse 14:8);
Um
anjo a fazer um anúncio (Apocalipse 14:9-12);
Uma
voz celestial ordenando que se escreva algo (Apocalipse 14:13);
Outro
anjo que surge (Apocalipse 14:14-16);
Mais
um anjo que aparece (Apocalipse 14:17-20).
Existem
sete promessas direcionadas àqueles que "vencerem":
Quem
vencer terá o privilégio de comer da árvore da vida (Ap 2.7);
O
vencedor não será atingido pela segunda morte (Ap 2.11);
Aquele
que vencer receberá o maná escondido (Ap 2.17);
Ao
vencedor será dado poder sobre as nações (Ap 2.26);
Quem
vencer será revestido com vestes brancas (Ap 3.5);
O
vencedor será estabelecido como coluna no templo do Deus eterno (Ap 3.12);
Aquele
que vencer terá o direito de se sentar no trono ao lado de Cristo (Ap 3.21).
No
capítulo 14, encontramos sete visões distintas e independentes entre si, cada
uma completa por si só:
Versículos
1-5;
Versículos
6-7;
Versículo
8;
Versículos
9-12;
Versículo
13;
Versículos
14-16;
Versículos
17-20.
Além
disso, o capítulo apresenta várias manifestações:
Uma
voz vinda do céu (Ap 1-5);
Um
anjo a voar pelos céus (Ap 6-7);
Outro
anjo proclamando a queda de Babilónia (Ap 8);
Um
anjo a anunciar (Ap 9-12);
Uma
voz celestial com a ordem de escrever (Ap 13);
Outro
anjo que surge (Ap 14-16);
Mais
um anjo (Ap 17-20).
Ainda
neste capítulo, encontram-se sete declarações específicas entre parênteses:
Os
144 mil ou o Filho do Homem no céu (Ap 14.1-5);
O
primeiro anjo mensageiro anuncia o evangelho eterno a todas as nações (Ap
14.6,7);
O
segundo anjo mensageiro proclama a queda de Babilónia (Ap 14.8);
O
terceiro anjo mensageiro anuncia a destruição dos seguidores da besta (Ap
14.9-11);
A
bem-aventurança dos mortos que morreram no Senhor (Ap 14.13);
A
colheita final - o Armagedom (Ap 14.14-20);
A
vindima - também relacionada ao Armagedom (Ap 14.17-20).
O
livro do Apocalipse está dividido em sete secções principais:
Primeira
secção (capítulos 1 a 3): os sete candeeiros;
Segunda
secção (capítulos 4 a 7): os sete selos;
Terceira
secção (capítulos 8 a 11): as sete trombetas;
Quarta
secção (capítulos 12 a 14): a tríade do mal;
Quinta
secção (capítulos 15 e 16): as sete taças;
Sexta
secção (capítulos 17 a 19): a derrota das forças do Dragão;
Sétima
secção (capítulos 20 a 22): o reinado de Cristo.
Sete
características únicas dos gafanhotos mencionados em Apocalipse 9:3-7 são
descritas da seguinte forma:
Possuem
coroas douradas sobre as suas cabeças;
Os
seus rostos assemelham-se aos de homens;
Têm
cabelos que lembram os de mulheres;
Os
seus dentes são comparados aos de leões;
Vestem
couraças que parecem feitas de ferro;
As
suas asas produzem um som semelhante ao troar de cavalos e carros em combate;
As
suas caudas possuem ferrões, como os dos escorpiões.
A
palavra grega "amion", que significa "cordeiro" e faz
referência a Cristo, surge um total de vinte e oito vezes, correspondendo à
soma de sete multiplicado por quatro. As
passagens onde aparece incluem: Ap 5.6; Ap 5.8; Ap 5.12; Ap 5.13; Ap 6.1; Ap
6.16; Ap 7.9; Ap 7.10; Ap 7.14; Ap 7.17; Ap 12.11; Ap 13.8; Ap 13.11; Ap 14.1;
Ap 14.4; Ap 14.10; Ap 15.3; Ap 17.14; Ap 19.7; Ap 19.9; Ap 21.9; Ap 21.14; Ap
21.22; Ap 21.23; Ap 21.27; Ap 22.1; Ap 22.3 e Ap 22.14.
Além
disso, o Senhor dirige-se a João em Patmos por sete vezes, como se pode
verificar em Ap 2.1, 8, 12, 18 e em Ap 3.1, 7, 14.
A
ordem para ouvir o que o Espírito comunica às igrejas também é repetida sete
vezes, especificamente em Ap 2.7, 11, 17, 29 e Ap 3.6, 13, 22.
Existem
ainda palavras de exortação que aparecem em passagens como Ap 2.5, 10, 16,
21-25 e também em Ap 3.2, 3, 11, 18-20.
Outro
ponto interessante é que os termos gregos "logov" (logos) e
"yeov" (theos) são encontrados exatamente sete vezes no livro do
Apocalipse, mais precisamente em Ap 1.2, 9; Ap 6.9; Ap 13; Ap 20.4; e no plural
em Ap 17.17 e Ap 19.9.
Segundo
Kistemaker, a expressão "logo" ou "depressa", relacionada
ao cumprimento da profecia e ao retorno de Jesus, também ocorre sete vezes: em
Ap 1.1; Ap 2.16; Ap 3.11; e em Ap 22.6, 7, 12 e 20.
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