LIVRO DE ROMANOS

 

O Livro de Romanos é a epístola mais longa e teológica do Novo Testamento, considerada por muitos como o tratado doutrinário mais completo da Bíblia. Escrito pelo apóstolo Paulo, ele apresenta uma exposição sistemática da doutrina cristã, enfatizando a justificação pela fé, a graça de Deus e a transformação ética do crente. Como o 45º livro da Bíblia, Romanos serve como uma ponte entre o evangelho e as implicações práticas da salvação, influenciando teólogos ao longo da história, como Agostinho, Lutero e Wesley. Integrando a tradição da Bíblia Dakes com perspectivas de comentários como Champlin, Beacon e Henry, esta introdução expande o conteúdo para oferecer uma visão ampla, incorporando análises históricas, teológicas e contextuais de fontes adicionais.

Propósito

O propósito principal de Romanos é apresentar a doutrina da salvação pela fé em Jesus Cristo, explicando que todos os humanos — judeus e gentios — são pecadores e precisam da graça de Deus para a justificação. Paulo visa preparar os cristãos romanos para sua visita, defendendo sua autoridade apostólica e combatendo heresias como o legalismo judaico. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, o livro sintetiza a mensagem de Paulo, destacando a justiça de Deus revelada no evangelho (Rm 1:16-17). Champlin enfatiza que Romanos é uma teologia sistemática, abordando o pecado universal, a expiação e a santificação, com aplicações éticas para a vida cotidiana. No Beacon, o propósito é revelar a adequação da vontade de Deus para a humanidade, comunicando o conhecimento da Palavra para iluminar a igreja primitiva. Expandindo com Henry, o livro orienta os cristãos em Roma sobre a doutrina da graça contra o pecado, promovendo unidade entre judeus e gentios na igreja. Fontes como o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal veem Romanos como uma explicação clara de versículos, respondendo a questões comuns e mostrando conexões bíblicas para aplicação pessoal.

Data e Local

A data tradicional é por volta de 57-58 d.C., durante a terceira viagem missionária de Paulo, provavelmente escrita em Corinto, na Grécia, enquanto ele se preparava para ir a Jerusalém (Rm 15:25-26). A Bíblia Dakes e a Genebra apoiam essa datação, com Paulo usando Tércio como escriba (Rm 16:22). Champlin sugere 56-57 d.C., baseado em referências a eventos como a coleta para os pobres em Jerusalém. Estudos modernos, como na Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, confirmam o local em Corinto, durante a estada com Gaio (Rm 16:23; 1 Co 1:14). Henry e Beacon concordam, notando que a ausência de referências à perseguição neroniana (64 d.C.) apoia uma data anterior.

Autor

O autor é o apóstolo Paulo (Rm 1:1), um fariseu convertido (At 9), que escreveu com a ajuda de Tércio. A Bíblia Dakes e Genebra confirmam sua autoria, destacando sua formação rabínica e cidadania romana. Champlin descreve Paulo como teólogo sistemático, influenciado por sua visão de Cristo. No Beacon, Paulo é visto como o principal propagador do evangelho aos gentios. Henry enfatiza sua transformação de perseguidor a apóstolo, com Romanos refletindo sua maturidade teológica.

Tema

O tema central é a justiça de Deus revelada no evangelho, abrangendo o pecado universal (Rm 1-3), justificação pela fé (Rm 4-5), santificação (Rm 6-8) e soberania divina (Rm 9-11), com aplicações práticas (Rm 12-16). A Bíblia Dakes destaca Romanos como o livro que mais menciona o Antigo Testamento. Champlin vê como teologia da salvação, combatendo legalismo. A Aplicação Pessoal enfatiza a graça sobre a lei, com conexões bíblicas. Beacon e Henry destacam a expiação e a vida transformada pelo Espírito.

Destinatário

Destinado aos cristãos em Roma, uma igreja mista de judeus e gentios, possivelmente fundada por convertidos do Pentecostes (At 2:10). Paulo escreve para uni-los e prepará-los para sua visita. A Genebra e Aplicação Pessoal notam o contexto de uma capital imperial com tensões étnicas. Champlin menciona a influência de Priscila e Áquila (Rm 16:3).

Versículos-chave

  • Rm 1:16-17: O evangelho como poder de Deus para salvação.
  • Rm 3:23: Todos pecaram.
  • Rm 5:8: Cristo morreu por nós pecadores.
  • Rm 6:23: Salário do pecado é a morte, dom de Deus é a vida eterna.
  • Rm 8:28: Todas as coisas cooperam para o bem.
  • Rm 12:1-2: Sacrifício vivo e transformação pela renovação da mente. Esses versos, destacados na Dakes e Henry, resumem a doutrina central.

Pessoas Chave

  • Paulo: Autor e apóstolo.
  • Tércio: Escriba.
  • Febe: Portadora da carta (Rm 16:1-2).
  • Priscila e Áquila: Colaboradores.
  • Gaio: Anfitrião. Henry e Beacon enfatizam Paulo como figura central, com menções a 27 indivíduos em Rm 16.

Lugares-chave

  • Roma: Destino principal.
  • Corinto: Local de redação.
  • Jerusalém: Referência à coleta (Rm 15:25).
  • Espanha: Plano futuro (Rm 15:24). Champlin e Genebra destacam o contexto imperial romano.

Estatísticas

O livro de Romanos, o 45º da Bíblia, é uma obra rica e complexa que consiste em 16 capítulos e 433 versículos. Uma das suas características marcantes é a inclusão de 87 perguntas, que estimulam a reflexão e a introspecção do leitor. Além disso, o livro se destaca por mencionar o Antigo Testamento (AT) em 19 profecias, sendo este o livro que mais faz referências ao AT dentro do Novo Testamento.

Romanos, também apresenta novas profecias, junto com uma extensa narrativa histórica, contabilizando 388 versículos dedicados à descrição de eventos e ensinamentos fundamentais. O livro trata, ainda, de 29 versículos que abordam profecias que se cumpriram, além de 16 que falam sobre profecias que ainda não se concretizaram, revelando assim a continuidade da mensagem divina por meio das gerações.

Com aproximadamente 9.500 palavras, Romanos é uma exposição teológica que não apenas instrui, mas também desafia os leitores a compreenderem sua fé. Em particular, a seção de Romanos 7:7-25 é frequentemente citada como uma porção-chave do texto, onde Paulo discute a luta interna contra o pecado, oferecendo uma visão profunda da condição humana e da necessidade da graça divina. Essa batalha interna que todos enfrentamos faz de Romanos um livro extremamente relevante e prático para aqueles que buscam compreender melhor sua própria jornada espiritual.

Estrutura

  • Introdução (Rm 1:1-17): Saudação e tema do evangelho.
  • Pecado universal (Rm 1:18-3:20).
  • Justificação pela fé (Rm 3:21-5:21).
  • Santificação (Rm 6-8).
  • Israel na salvação (Rm 9-11).
  • Aplicações práticas (Rm 12-15).
  • Conclusão (Rm 16). Estrutura dividida em doutrinária (1-11) e prática (12-16), como em Beacon e Henry.

LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

 

É o quinto livro do Novo Testamento e o único livro histórico dessa seção da Bíblia, com 28 capítulos. Ele serve como ponte entre os evangelhos (que narram a vida, morte e ressurreição de Jesus) e as epístolas (que tratam da doutrina e da vida da igreja), registrando o nascimento da igreja cristã primitiva, o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes e a expansão do evangelho de Jerusalém até Roma. Atos enfatiza a ação soberana do Espírito Santo como protagonista, guiando os apóstolos (especialmente Pedro e Paulo) em milagres, pregações, conversões e resoluções teológicas, como a inclusão dos gentios sem obrigatoriedade da lei mosaica (Concílio de Jerusalém, At 15). A obra lucana (Lucas-Atos) abrange cerca de 30 anos (33-63/65 d.C.), mostrando o cumprimento da comissão de Jesus em At 1:8 ("sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra"). Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas modernas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter histórico, teológico e missionário.

Propósito

O propósito é continuar a narrativa iniciada no Evangelho de Lucas (At 1:1), relatando como Jesus continuou a agir e ensinar por meio do Espírito Santo na igreja primitiva, confirmando o evangelho com sinais, milagres e expansão global. Lucas visa fortalecer a fé, fornecer defesa apologética contra acusações judaicas e romanas, e mostrar a unidade da igreja apesar de perseguições. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca o foco no poder do Espírito para testemunho eficaz. Champlin enfatiza a confirmação da Palavra de Deus e o modelo da igreja primitiva. Beacon e Henry veem como história da salvação universal, com ênfase na transição do judaísmo para o cristianismo inclusivo.

Data e Local

Cerca de 63 d.C., com local desconhecido (possivelmente Roma, durante a prisão de Paulo). A erudição moderna (Champlin, Beacon, Bruce) varia entre 60-70 d.C. (antes da destruição do Templo) e 80-90 d.C. (pós-70 d.C., com alusões históricas). A Bíblia de Estudo de Genebra e Henry apoiam uma data anterior. O local provável é Roma ou Antioquia, em contexto de expansão romana.

Autor

Lucas, o "médico amado" (Cl 4:14), companheiro de Paulo (seções "nós" em At 16:10-17; 20:5-15; 21:1-18; 27:1-28:16). Gentio convertido, historiador culto, usou 400 palavras exclusivas (muitas médicas, como descrições precisas de doenças em At 3:7; 28:8). A tradição patrística (Ireneu, Tertuliano) confirma a autoria. Champlin e Beacon aceitam Lucas; estudos modernos (Brown e Coenen) veem um cristão gentio educado compilando fontes. Henry destaca sua precisão e vocabulário técnico.

Tema

Os atos do Espírito Santo na confirmação da Palavra, expansão do cristianismo e ministério de Paulo aos gentios, expandindo Mc 16:20. Ênfase na capacitação da igreja, visão do reino milenar, inclusão de gentios e resolução da controvérsia sobre a lei mosaica (abolida na nova aliança). Champlin destaca poder divino sem força humana; Beacon vê teologia da missão; Henry enfatiza unidade e testemunho.

Destinatário

Comunidades cristãs mistas, dedicadas a Teófilo ("amigo de Deus"), para confirmar a fé e encorajar em perseguições. Champlin e Genebra notam foco em gentios, com apologia para cristãos no Império Romano.

Versículos-chave

  • At 1:8: Comissão missionária.
  • At 2:38-39: Arrependimento e batismo.
  • At 4:12: Salvação só em Jesus.
  • At 9:15: Chamado de Paulo.
  • At 15:11: Salvação pela graça. Destacados na Dakes e Henry.

Pessoas chave

  • Espírito Santo: Protagonista.
  • Pedro: Líder inicial (caps. 1-12).
  • Paulo: Apóstolo aos gentios (caps. 13-28).
  • Estêvão, Filipe, Barnabé. Henry e Beacon destacam transição de Pedro para Paulo.

Lugares-chave

  • Jerusalém: Nascimento da igreja.
  • Samaria, Antioquia: Expansão.
  • Chipre, Ásia Menor, Grécia: Viagens de Paulo.
  • Roma: Culminação. Champlin enfatiza geografia progressiva.

Estatísticas

44º livro da Bíblia, destaca-se por sua rica estrutura e conteúdo. Com 28 capítulos e um total de 1.007 versículos, Lucas apresenta uma narrativa detalhada e distinta sobre a vida de Jesus. O texto é repleto de perguntas e profecias, totalizando 75 perguntas e 41 profecias, sendo 21 do Antigo Testamento e 20 novas. Isso demonstra não apenas a continuidade da mensagem bíblica, mas também a relevância das promessas divinas.

Além disso, Lucas é notável por sua habilidade linguística, incluindo 400 palavras que não aparecem nas obras de outros escritores da Bíblia. Muitas dessas palavras são de caráter médico, o que reflete o background profissional do autor e oferece descrições detalhadas de condições de saúde, como paralisia e febre, o que enriquece a compreensão dos milagres e curas realizados por Jesus.

 

Com aproximadamente 24.250 palavras no grego original, o Evangelho de Lucas não apenas narra a história da vida de Cristo, mas também fundamenta essa narrativa em análises robustas, incluindo versículos que tratam de profecias cumpridas (49 versículos) e aquelas que ainda não se concretizaram (14 versículos). Essa estrutura torna Lucas uma obra essencial para o estudo teológico e para a análise da vida cristã.

Estrutura

  • Introdução e Pentecostes (1-2): Ascensão, eleição de Matias, derramamento do Espírito.
  • Igreja em Jerusalém (3-7): Milagres, perseguições, martírio de Estêvão.
  • Expansão para Judeia/Samaria (8-12): Filipe, conversão de Paulo, visão de Pedro.
  • Viagens de Paulo (13-28): Três viagens missionárias, Concílio de Jerusalém, prisão e viagem a Roma. Beacon e Henry dividem em Pedro (1-12) e Paulo (13-28), com progressão geográfica.

EVANGELHO SEGUNDO JOÃO


É o quarto livro do Novo Testamento e o mais distinto dos evangelhos canônicos, com uma abordagem teológica profunda e simbólica que enfatiza a divindade de Jesus Cristo como o Verbo eterno (Logos) encarnado, o Filho de Deus que revela o Pai e oferece vida eterna aos que creem. Diferente dos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), que compartilham narrativas semelhantes, João é altamente seletivo: apenas 7 eventos aparecem nos outros evangelhos (palavras de João Batista, Última Ceia, unção em Betânia, paixão, ressurreição, multiplicação dos pães para 5.000 e caminhada sobre o mar), enquanto o restante é peculiar a João, incluindo milagres como o de Caná, a ressurreição de Lázaro e discursos extensos como o "Eu Sou". Juntos, os quatro evangelhos apresentam uma concepção completa de Jesus: Rei ideal (Mateus), Servo ideal (Marcos), Homem ideal (Lucas) e Deus ideal (João). O livro usa sete "sinais" milagrosos e sete declarações "Eu Sou" para revelar a identidade divina de Jesus, culminando na Oração Intercessória e na paixão como glorificação. Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter cristológico elevado e sua ênfase na fé como caminho para a vida eterna.

Propósito

O propósito é convencer os leitores a crerem que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, para que tenham vida em seu nome (Jo 20:31). João visa revelar a divindade de Jesus, combater heresias como o gnosticismo e o docetismo (que negavam a humanidade plena de Cristo), e promover a fé como união íntima com Deus. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca o foco em sinais que apontam para a glória de Cristo. Champlin vê como evangelho da revelação divina, enfatizando o Logos como criador e redentor. Beacon e Henry ressaltam a chamada à fé pessoal e à comunhão eterna com o Pai.

Data e Local

Cerca de 90 d.C., com local desconhecido (provavelmente Éfeso, na Ásia Menor). A erudição moderna (Champlin, Beacon, Bruce) data-o entre 90-110 d.C., baseado no Papiro P52 (fragmento mais antigo, ca. 125 d.C.) e contexto pós-destruição do Templo (alusões em Jo 2:19-21). A Bíblia de Estudo de Genebra e Henry apoiam uma data tardia, ligada à comunidade joanina em Éfeso.

Autor

João, o discípulo amado (Jo 13:23; 19:26; 21:20-24), apóstolo e irmão de Tiago. Presente em eventos chave, cuidou de Maria e foi pilar da igreja (Gl 2:9). A tradição patrística (Ireneu, Papias) confirma a autoria apostólica. Champlin e Beacon aceitam João como autor; estudos modernos (Brown e Coenen) veem uma "comunidade joanina" influenciada por testemunhas oculares. Henry destaca sua intimidade com Jesus.

Tema

Jesus Cristo como Deus, Messias e Filho de Jeová, com divindade afirmada (Jo 1:1-14; 8:58; 20:28). Ênfase em vida eterna pela fé, luz vs. trevas, amor e glorificação na cruz. Champlin destaca testemunhos da divindade (Pai, Filho, Espírito, obras); Beacon vê cristologia alta; Henry enfatiza encarnação e salvação.

Destinatário

Comunidade joanina (judeus e gentios) em Éfeso ou Ásia Menor, enfrentando heresias e perseguições. Champlin e Genebra notam foco em cristãos maduros precisando de aprofundamento teológico.

Versículos-chave

  • Jo 1:1,14: "No princípio era o Verbo... e o Verbo se fez carne".
  • Jo 3:16: "Deus amou o mundo".
  • Jo 8:58: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou".
  • Jo 11:25: "Eu sou a ressurreição e a vida".
  • Jo 14:6: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".
  • Jo 20:31: Propósito do livro. Destacados na Dakes e Henry.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Verbo encarnado.
  • João, discípulo amado: Autor e testemunha.
  • João Batista: Precursor.
  • Maria, mãe de Jesus.
  • Discípulos (Pedro, Tomé, Judas).
  • Nicodemos, samaritana, Lázaro. Henry e Beacon destacam relações pessoais.

Lugares-chave

  • Caná: Primeiro sinal.
  • Jerusalém: Festas e templo.
  • Samaria: Conversão da mulher.
  • Betânia: Ressurreição de Lázaro.
  • Getsêmani e Calvário: Paixão. Champlin enfatiza simbolismo geográfico.

Estatísticas

43º livro da Bíblia; 21 capítulos; 879 versículos; 167 perguntas; 16 profecias do AT cumpridas; 43 novas profecias; 85 versículos de profecias cumpridas e 7 versículos de profecias não cumpridas. Contém cerca de 15.635 palavras no grego original (menor que Lucas e Mateus, mas denso teologicamente). Somente 7 acontecimentos aparecem nos outros evangelhos; o resto é exclusivo.

Estrutura

  • Prólogo (1:1-18): Verbo eterno.
  • Livro dos Sinais (1:19-12:50): Sete milagres e revelação pública.
  • Livro da Glória (13-20): Última Ceia, discurso de adeus, paixão, ressurreição.
  • Epílogo (21): Aparição no mar e restauração de Pedro. Beacon e Henry destacam divisão em revelação e glorificação.

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

 

É o terceiro livro do Novo Testamento e o mais longo dos quatro evangelhos canônicos. Ele forma, junto com o Livro dos Atos dos Apóstolos, uma obra literária em dois volumes (Lucas-Atos), considerada a maior contribuição individual ao Novo Testamento (cerca de 24-27,5% do total). Lucas apresenta Jesus como o Filho do Homem, o Homem Ideal e Salvador compassivo que busca e salva os perdidos, com ênfase especial na misericórdia, inclusão social (pobres, mulheres, marginalizados, gentios) e universalidade da salvação. Seu estilo literário refinado, influenciado pela Septuaginta e pela historiografia greco-romana, inclui narrativas detalhadas, cânticos poéticos (Magnificat, Benedictus, Nunc Dimittis) e 38 seções exclusivas (parábolas como o Bom Samaritano e o Filho Pródigo, milagres e eventos da infância). Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas modernas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter histórico-teológico e inclusivo.

Propósito

O propósito é fornecer uma narrativa ordenada e investigada dos fatos sobre Jesus (Lc 1:1-4), para que o leitor (Teófilo) tenha certeza da verdade ensinada. Lucas visa apresentar Jesus como Salvador universal, enfatizando misericórdia, oração, inclusão dos excluídos e salvação "hoje". A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca o foco na compaixão de Jesus pelos pobres e marginalizados. Champlin vê como evangelho da salvação para todos, com forte ênfase no Espírito Santo e na conversão. Beacon e Henry ressaltam a continuidade da história da salvação do AT para o NT, preparando o caminho para Atos.

Data e Local

Cerca de 58-63 d.C., com local desconhecido (possivelmente durante a prisão de Paulo em Roma ou Cesareia). A erudição moderna (Champlin, Beacon, Bruce) data-o entre 80-90 d.C., após Marcos (fonte principal) e a destruição do Templo (alusões em Lc 21). A Bíblia de Estudo de Genebra e Henry apoiam uma data anterior. O local provável é uma região helenizada, como Antioquia da Síria ou Grécia.

Autor

Lucas, o "médico amado" (Cl 4:14), companheiro de Paulo (seções "nós" em Atos). Gentio convertido, historiador culto, escreveu em grego refinado com vocabulário médico e 266 palavras exclusivas no NT. A tradição patrística (Ireneu) confirma a autoria. Champlin e Beacon aceitam Lucas como autor; estudos modernos (Brown e Coenen) veem-no como cristão gentio educado, usando fontes (Marcos, Q, L). Henry destaca sua precisão investigativa.

Tema

Jesus Cristo como o Homem Ideal de Jeová (Zc 6:12), dependente do Pai, compassivo com excluídos (pobres, mulheres, samaritanos, pecadores). Ênfase em misericórdia, oração, salvação universal, alegria e ação do Espírito Santo. Champlin destaca detalhes humanos e inclusão; Beacon vê como teologia da salvação "hoje"; Henry enfatiza conversão e dependência de Deus.

Destinatário

Cristãos gentios, ou comunidades mistas, dedicadas a Teófilo ("amigo de Deus"), inseridas em contextos helenizados enfrentando perseguições ou incertezas. O texto explica costumes judaicos para um público predominantemente não judeu. Champlin e Genebra destacam o enfoque nos gentios, com uma mensagem de salvação universal. Teófilo, nome romano comum, levanta uma questão intrigante: quem era este homem mencionado apenas aqui e em Atos 1:1? Josefo, historiador judeu, menciona dois sumos sacerdotes com este nome. No entanto, no contexto bíblico, Teófilo é descrito como alguém "instruído" na vida de Cristo (v. 4). Poderia tratar-se de uma figura influente na sociedade romana ou judaica, talvez um patrono ou oficial romano interessado no cristianismo? Ou seria um título simbólico, representando "amigo de Deus"? A ausência de informações concretas deixa-nos a ponderar sobre o papel exato de Teófilo e sua relevância na narrativa bíblica.

Versículos-chave

  • Lc 1:46-55 (Magnificast)[1].
  • Lc 2:11 (Salvador nascido).
  • Lc 4:18-19 (Missão de Jesus).
  • Lc 15:7 (Alegria no céu por pecador arrependido).
  • Lc 19:10 (Veio buscar e salvar o perdido).
  • Lc 24:47 (Arrependimento e perdão). Destacados na Dakes e Henry, resumem misericórdia e salvação.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Filho do Homem.
  • Lucas: Autor.
  • Maria: Figura central na infância.
  • João Batista: Precursor.
  • Mulheres (Maria Madalena, Marta, etc.): Destaque único.
  • Zaqueu, publicano: Conversão. Henry e Beacon destacam inclusão de marginalizados.

Lugares-chave

  • Nazaré: Infância.
  • Belém: Nascimento.
  • Galileia: Ministério.
  • Samaria: Inclusão.
  • Jerusalém: Paixão e ascensão.
  • Caminho para Jerusalém (9:51-19:27): Viagem central. Champlin enfatiza geografia progressiva.

Estatísticas

42º livro da Bíblia; 24 capítulos; 1.151 versículos; 165 perguntas; 9 profecias do AT; 54 novas profecias; 930 versículos de história; 118 versículos cumpridos e 103 versículos de profecias não cumpridas. 38 partes exclusivas que não aparecem noutros evangelhos:

1.      6 Milagres exclusivos:

·         A pesca milagrosa (5.4-11);

·         A ressurreição do filho da viúva de Naim (7.11-18);

·         A cura de uma mulher encurvada (13.11-17);

·         A cura de um homem com hidropisia (14.1-6);

·         A cura de dez leprosos (17.11-19);

·         A cura da orelha do servo de Malco (22.50,51).

2.      10 Parábolas únicas:

·         Os dois devedores (7.41-43);

·         O bom samaritano (10.30-37);

·         O amigo importuno (11.5-8);

·         O rico insensato (12.16-21);

·         A figueira estéril (13.6-9);

·         A dracma perdida (15.8-10);

·         O filho pródigo (15.11-32);

·         O juiz iníquo (18.1-8);

·         O fariseu e o publicano (18.9-14).

3.      22 Discursos e acontecimentos específicos:

·         O nascimento e infância de João Batista e Jesus (1.5-80; 2.1-52);

·         O diálogo com os publicanos e soldados (3.10-14);

·         O envio dos setenta discípulos (10.1-20);

·         O encontro com Zaqueu (19.1-10);

·         O lamento sobre Jerusalém (19.41-44);

·         A agonia no Getsémani (22.44);

·         O julgamento de Jesus por Herodes (23.7-12);

·         As mulheres que choram no caminho para a cruz (23.27-31);

·         As palavras de perdão e salvação na cruz (23.34,40-43);

·         A ascensão de Jesus (24.50-53).

É o maior dos Evangélicos  não em número de versículos mais em palavras no grego original (aproximadamente 19.482 palavras gregas, superando Mateus com cerca de 18.345, João com 15.635 e Marcos com 11.304).

Estrutura

  • Prólogo (1:1-4): Propósito.
  • Infância e preparação (1:5-4:13): Nascimentos, batismo, tentações.
  • Ministério na Galileia (4:14-9:50): Milagres, Sermão da Planície.
  • Viagem para Jerusalém (9:51-19:27): Parábolas exclusivas, discipulado.
  • Em Jerusalém (19:28-21:38): Entrada triunfal, ensinamentos.
  • Paixão, ressurreição e ascensão (22-24). Beacon e Henry destacam estrutura geográfica e foco na viagem.


[1] O termo (Magnificat) refere-se ao cântico de louvor de Maria, mãe de Jesus, encontrado no Evangelho de Lucas, especificamente em Lucas 1:46-55. Este cântico é reconhecido por sua beleza poética e profundidade teológica, sendo uma das expressões mais significativas da adoração na tradição cristã.

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS


É o segundo livro do Novo Testamento e o mais curto dos quatro evangelhos canônicos, com uma narrativa dinâmica, concisa e cheia de ação que retrata Jesus como o Servo Fiel de Jeová, em constante movimento para cumprir sua missão de sofrimento e redenção. Como o mais antigo dos evangelhos sinópticos (hipótese da prioridade de Marcos, aceita pela maioria dos estudiosos), serve de fonte principal para Mateus e Lucas, fornecendo o núcleo narrativo de ações e milagres. O livro enfatiza a urgência do evangelho com o uso frequente da palavra "imediatamente" (ou sinônimos gregos como euthys), que aparece mais vezes aqui do que em todos os outros evangelhos juntos, criando um ritmo acelerado que reflete a pressa do Servo em servir e sacrificar-se. Integrando a tradição da Bíblia Dakes com análises de comentários como Champlin, Beacon, Henry e perspectivas acadêmicas modernas, esta introdução oferece uma visão ampla, destacando seu caráter teológico e histórico.

Propósito

O propósito principal é apresentar Jesus Cristo como o Servo Sofredor de Jeová (baseado em Isaías 42:1; 52:13-53:12), que veio "não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10:45). Marcos visa fortalecer cristãos gentios enfrentando perseguições (possivelmente sob Nero), enfatizando o discipulado como caminho de sofrimento, o segredo messiânico (Jesus silencia revelações prematuras) e a vitória da ressurreição apesar do fracasso aparente dos discípulos. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca que Marcos convida à fé imediata e ao seguimento radical. Champlin vê como evangelho de ação, focado em obras mais que palavras, para um público romano. Beacon e Henry enfatizam a confirmação da identidade de Jesus como Filho de Deus, revelada na cruz (Mc 15:39).

Data e Local

Tradicionalmente entre 57-63 d.C., com local desconhecido (possivelmente Roma). A erudição moderna, incluindo Champlin e Beacon, data-o por volta de 65-70 d.C. (pouco antes ou após a destruição do Templo em 70 d.C.), baseado em Mc 13 (profecia da destruição) e uso como fonte por Mateus/Lucas. A Bíblia de Estudo de Genebra e Bruce (Comentário NVI) apoiam Roma ou Síria, em contexto de perseguição romana. Henry sugere uma data anterior, ligada à pregação de Pedro.

Autor

Atribuído a João Marcos (ou Marcos Evangelista), companheiro de Pedro e Paulo (At 12:12; 1 Pe 5:13; Cl 4:10). Não testemunha ocular, mas compilou memórias de Pedro. A tradição patrística (Papias, Ireneu) confirma isso. Champlin e Beacon aceitam a autoria, destacando estilo rude e dinâmico. Estudos modernos (Brown e Coenen) veem o autor como cristão gentio anônimo, usando fontes orais e escritas.

Tema

Jesus como o Servo Fiel de Jeová (Is 42:1-21; 52:13-53:12; Mc 10:45), com caráter de servo visto em fadiga, compaixão, amor e sofrimento. Ênfase em ações, milagres (20 registrados), segredo messiânico e discipulado como cruz. Champlin destaca detalhes humanos de Jesus; Beacon vê como Messias Sofredor; Henry enfatiza obediência e serviço.

Destinatário

Principalmente cristãos gentios de língua grega no Império Romano (Roma ou Síria), enfrentando perseguição. Explica costumes judaicos (Mc 7:3-4) para público não judeu. Champlin e Genebra notam foco em gentios, com salvação universal.

Versículos-chave

  • Mc 1:1: "Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus".
  • Mc 1:11; 9:7: Voz do Pai.
  • Mc 8:29: Confissão de Pedro.
  • Mc 10:45: Missão do Filho do Homem.
  • Mc 15:39: Confissão do centurião. Esses versos, destacados na Dakes e Henry, revelam a identidade de Jesus.

Pessoas chave

  • Jesus Cristo: Protagonista como Servo.
  • João Marcos: Autor.
  • Pedro: Fonte principal.
  • João Batista: Precursor.
  • Discípulos (falham em compreender).
  • Centurião: Confissão final. Henry e Beacon destacam Jesus como central.

Lugares-chave

  • Galileia: Ministério principal.
  • Jerusalém: Paixão.
  • Jordão: Batismo.
  • Cesareia de Filipe: Confissão de Pedro. Champlin enfatiza movimento geográfico.

Estatísticas

O 41º livro da Bíblia, que é conhecido como o Evangelho de Marcos, é uma obra rica em conteúdo, contendo 16 capítulos e 678 versículos. Este livro se destaca por apresentar 121 perguntas que provocam reflexão e debate. Além disso, Marcos é notável por cumprir 11 profecias do Antigo Testamento, ao mesmo tempo em que introduz 30 novas profecias que expandem a mensagem divina.

A narrativa do Evangelho de Marcos é também marcada por suas dimensões históricas, com 582 versículos que tecem a história da vida e ministério de Jesus. Dentre as profecias, 43 versículos são considerados cumpridos, enquanto 53 versículos permanecem não cumpridos, mostrando o caráter contínuo da revelação divina.

Além disso, Marcos transmite 2 mensagens distintas de Deus, conforme registrado nos versículos 1.11 e 9.7, que enfatizam a importância de ouvir e seguir a vontade divina. Este livro é, portanto, uma fonte rica de ensinamentos e reflexões sobre a fé e a obra de Cristo.

A palavra "imediatamente" (ou sinónimos) é utilizada mais vezes neste evangelho do que nos outros três evangelhos juntos. A expressão grega "eutheos" aparece 80 vezes no Novo Testamento, sendo 40 dessas ocorrências no Evangelho de Marcos e as outras 40 distribuídas pelos restantes autores. É traduzida como "imediatamente", "rapidamente" ou "logo".

Além disso, o Evangelho de Marcos contém 31 versículos que relatam milagres exclusivos, destacando-se pela sua ênfase na ação e na urgência da mensagem de Jesus.

Estrutura

  • Introdução (1:1-13): Batismo e tentação.
  • Ministério na Galileia (1:14-8:30): Milagres, chamadas, conflitos.
  • Caminho para Jerusalém (8:31-10:52): Predições da paixão, discipulado.
  • Em Jerusalém (11-13): Entrada triunfal, templo, discurso escatológico.
  • Paixão e ressurreição (14-16): Última Ceia, crucificação, túmulo vazio. Beacon e Henry destacam foco na paixão (um terço do livro).

Essa introdução ampliada integra a fonte Dakes com perspectivas teológicas e acadêmicas, destacando Marcos como evangelho urgente que convida ao discipulado fiel em tempos de sofrimento.