VALORIZEM A JÓIA QUE VOCÊ TEM

Texto: “O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do SENHOR” (Pv 18. 22).

 Contexto O Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas; 46 e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a”. (Mt 13. 45).

INTRODUÇÃO

Uma pérola, também conhecida como margarita, é um material esférico e duro de origem orgânica, produzido por alguns moluscos. Ela é formada quando um corpo estranho invade o interior de uma ostra, penetrando em seu organismo. Geralmente, esse corpo estranho é um grão de areia que se aloja entre a casca da ostra e sua carne.

 

A pérola é valorizada e utilizada na produção de joias. As melhores pérolas são encontradas no Golfo Pérsico, também conhecidas como pérolas do oriente. Além disso, a extração também ocorre na Índia, Austrália e América Central. No Japão, as pérolas cultivadas são produzidas em grande quantidade.

Composição: carbonato de cálcio 84-92%, matéria orgânica 4-13% e água (e 3-4%).

1- A semelhança do reino dos céus

Na parábola tão simples e expressiva, Jesus compara o reino dos céus a uma pérola de grande valor, ensinando que aquele que a encontra e reconhece seu valor está disposto a vender tudo o que possui para adquiri-la. Simbolicamente, a Bíblia nos mostra o valor da família. O livro de Provérbios diz: "Quem encontra uma esposa encontra algo bom; recebeu a bênção do Senhor" (Provérbios 18.22). Bênção significa prazer, deleite, favor, boa vontade. "A mulher virtuosa, quem a encontrará? O seu valor ultrapassa em muito o das joias mais finas" (Provérbios 31.10). Paulo usa a família para falar sobre a relação de Cristo com a igreja. Quero aplicar essa parábola à família, pois ela é uma joia preciosa.

2 - O processo de formação de uma pérola.

O processo de formação de uma pérola é um símbolo de grande sabedoria, revelando o profundo conhecimento de Jesus sobre a pérola, sua formação e seu verdadeiro valor. Neste contexto, podemos observar alguns aspectos da formação de uma pérola, aplicados tanto a Cristo quanto à sua igreja ou à família.

A nova vida a dois pode trazer muita dor e sofrimento, mas é importante lembrar que após tudo isso vem a alegria. Como está escrito no Salmo 126.1 "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, [Família] ficamos como quem sonha". Também encontramos no Salmo 30.5 "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã". 

E concluímos com o Salmo 126.2-6 "Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cânticos; então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o SENHOR a estes. Grandes coisas fez o SENHOR por nós, e, por isso, estamos alegres. Faze-nos regressar outra vez do cativeiro, SENHOR, como as correntes do Sul. Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aqueles que levam a preciosa semente, andando e chorando, voltarão, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos".

2.1 O homem pagou pela pérola. Jesus pagou com a sua vida pela igreja.

A história deixa claro que esse homem reconhecia o valor daquela pérola. Por isso, ele pagou o preço sem nunca se arrepender do investimento feito para adquiri-la.

2.2        Este homem estava disposto a sacrificar tudo para ter aquela pérola em suas mãos, brilhante como sua propriedade exclusiva e particular.

2.3        A pérola tornou-se sua propriedade exclusiva.

Na época de Jesus, as pérolas eram usadas para adornar as vestes dos monarcas, representando um símbolo de beleza e glória.

Hoje, em vários países, a pérola é utilizada na medicina com diferentes propósitos:

·         - Na China, a medicina tradicional utilizava exclusivamente a pérola virgem, não perfurada, acreditando que ela tinha a capacidade de curar todas as doenças oculares. Um provérbio chinês diz: "O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do SENHOR" (Pv 18. 22).

·         - Na medicina árabe, também se reconhecem virtudes na pérola. As pérolas queimadas eram usadas para tratar doenças cardíacas, problemas digestivos, doenças mentais e mau hálito.

·         Na árabe a medicina reconhece na pérola virtudes idênticas. As pérolas queimadas eram usadas nas doenças do coração, dificuldades digestivas, doenças mentais e mau hálito.

Mulheres de Jerusalém, eu sou morena, porém sou bela. Sou morena escura como as barracas do deserto, como as cortinas do palácio de Salomão. 6  Não fiquem me olhando assim por causa da minha cor, pois foi o sol que me queimou. Meus irmãos ficaram zangados comigo e me fizeram trabalhar nas plantações de uvas. Por isso, não tive tempo de cuidar de mim mesma” (Ct 1.5-6 “NTLH”). Para Salomão ela foi a Joia “pérola” de grande valor “Eis que és formosa, ó amiga minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas” (Ct  1. 15 “ARC”).

 

• O Japão é reconhecido como uma fonte de energia e cálcio.

• Na Grécia antiga, era associado ao amor e ao casamento.

• A união familiar é um dos símbolos mais importantes.

• A palavra "pérola" tem origem num termo sânscrito que significa "puro".

A pérola origina-se do sofrimento de uma ostra.

·         O que distingue a pérola das outras pedras preciosas é a forma como é criada. A pérola resulta da presença de um corpo estranho dentro de uma ostra. Pode ser um grão de areia, um ovo de molusco ou algum tipo de parasita. Eles penetram na ostra, ferindo sua carne e, lá dentro, causando sofrimento. Com o passar do tempo, essa partícula rejeitada se transforma numa pérola de grande valor.

·         No livro "Primeiros Socorros para um Casamento Ferido", Marilyn Phollipps partilha a história do seu casamento com o meu marido Michael, que foi salvo pelo poder de Jesus. Há alguns anos, estávamos à beira do divórcio e Michael estava a fazer planos para se casar com outra pessoa. Os conselheiros matrimoniais não nos davam esperança, o nosso pastor resignou-se ao facto de que o casamento estava morto, e outros crentes aconselhavam-nos a juntar os pedaços e seguir em frente com as nossas vidas.  (PHOLLIPPS). 

2.3        A formação da pérola é um processo lento. Da mesma forma, o processo de vida também se desenvolve lentamente.

2.4        Embora pequena, a pérola possui um valor inestimável.

O pequeno grão de areia que se aloja no interior da ostra pode parecer inicialmente sem perspetiva, mas o resultado é surpreendente. Jesus conhece as pérolas que forma e é importante limpar o interior para que o exterior se apresente limpo.

3-    Cuidados com a pérola.

As pérolas devem ser armazenadas separadamente das outras peças, envolvidas em tecido. Limpe-as com um pano húmido e evite produtos químicos domésticos, produtos capilares, cosméticos e perfumes, pois retiram o brilho das pérolas.

3.1 O processo de separação da pérola.

O processo de separação da pérola nos ensina sobre o trabalho de Deus em nossas vidas. Viver neste mundo requer vigilância, separação e muito esforço. A natureza pecaminosa travará uma luta constante com a natureza que herdamos de Deus, sendo um verdadeiro combate, por isso precisamos estar revestidos e atentos.

3.2 A pérola é gerada num ambiente corruptível.

A pérola habita numa massa de carne viva (seu cônjuge), porém corruptível. Sua beleza só pode ser realçada após ser retirada do local e limpa de toda a impureza produzida pelo ambiente onde foi gerada.

Muitas das vezes o lar que foi criada não foi o albiente agradavel.

À semelhança da pérola, o cônjuge ainda está recoberto por uma massa de carne corruptível e, para se tornar uma jóia preciosa para o adorno de um monarca, deve ser purificado, libertando-se das coisas mundanas.

Para isso, é necessário pedir orientação ao Espírito Santo para ajudar a prepará-lo(a) de forma a tornar-se um ornamento perfeito, assim como Deus elaborou Sua pérola desconhecida e oculta, fazendo-a brilhar.

CONCLUSÃO

O processo de formação de uma pérola pode durar de dez a cinquenta anos, sendo um processo longo e paciente. Talvez a maior pergunta que nos falta responder seja: em que parte do processo estamos nós? Como estão as nossas renúncias? Está o nosso coração pronto para deixar tudo para trás? Nunca esqueçamos que Jesus desceu às mais baixas profundezas para libertar a pérola de tudo o que a envolvia e fazer dela uma preciosidade (Efésios 4.9,10).


Bibliografia

PHOLLIPPS, M. (s.d.). Primeiro socorro para um casamento ferido. SP: Ed. Pompeia,

 

COMO PODE DEUS ENVIAR UM ESPÍRITO MALIGNO PARA ATORMENTAR O REI SAUL

1 Samuel 16:14 à Luz da Soberania de Deus

Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava”.

O texto de 1 Samuel 16:14, que menciona um espírito maligno atormentando o rei Saul, pode ser inicialmente perturbador para muitas pessoas, levantando questões sobre a natureza de Deus e Seu relacionamento com o mal. No entanto, é essencial compreender o contexto e os princípios bíblicos subjacentes para obter uma compreensão mais clara dessa passagem.

1.  Rejeição de Saul por Deus: O texto anteriormente menciona que o Espírito do Senhor se retirou de Saul devido à sua desobediência e rejeição por parte de Deus (1 Samuel 15:27-28). A desobediência persistente de Saul e seu afastamento de Deus deixaram-no vulnerável à influência maligna.

2.  Soberania de Deus sobre todas as coisas: A compreensão da soberania de Deus é fundamental para interpretar corretamente essa passagem. Os servos de Saul identificaram o espírito maligno como enviado de Deus, reconhecendo a autoridade suprema de Deus sobre todas as coisas, inclusive sobre o mal (1 Samuel 16:15). Isso reflete uma perspectiva teológica comum no Antigo Testamento, onde Deus é visto como controlando tanto o bem quanto o mal (Amós 3:6).

3.  O mal sob a autoridade de Deus: Embora o mal exista e tenha efeitos reais, ele não opera fora do controle soberano de Deus. Como visto no livro de Jó, Satanás requer permissão de Deus antes de agir (Jó 1:12), e seu poder é limitado pelo Senhor. Mesmo o destino final do maligno está nas mãos de Deus (Apocalipse 20:10).

Portanto, enquanto o texto pode parecer problemático à primeira vista, quando visto à luz da soberania de Deus e da rejeição de Saul devido à sua desobediência, podemos entender que o espírito maligno que o atormentava estava dentro dos planos soberanos de Deus. Isso não absolve Saul de sua responsabilidade por suas ações, mas destaca a autoridade suprema de Deus sobre todas as coisas, incluindo o mal.

4.  O plano maior de Deus na vida de Saul e Davi: Como mencionado, o sofrimento de Saul e a ascensão de Davi estavam interligados no plano soberano de Deus. A queda de Saul e a ascensão de Davi foram parte do propósito divino para estabelecer a linhagem real de Davi e cumprir as promessas feitas a Israel. Assim, mesmo em meio às consequências da desobediência de Saul, Deus estava trabalhando para realizar Seus planos redentores.

5.  A justiça e a santidade de Deus: Embora possa ser difícil compreender os caminhos de Deus, a Bíblia afirma Sua justiça e santidade. Deus age de acordo com Sua natureza perfeita e em conformidade com Seus propósitos eternos, mesmo quando essas ações podem parecer misteriosas ou difíceis de entender para nós. Confiamos na bondade e na sabedoria de Deus, sabendo que Ele age de acordo com Seu caráter imutável.

6.  A limitação do entendimento humano diante de Deus: O texto de Romanos 9 nos lembra da nossa posição finita em relação a Deus. Como criaturas, não podemos compreender totalmente os caminhos de Deus, e nossa compreensão é limitada pelo nosso conhecimento limitado e perspectiva finita. Devemos humildemente confiar na sabedoria e na soberania de Deus, reconhecendo que Ele age de acordo com Seus propósitos soberanos e justos, mesmo quando não compreendemos plenamente Seus caminhos.

Conclusão:

Portanto, ao considerar a ação de Deus na vida de Saul e Davi, devemos confiar na sabedoria e na bondade de Deus, mesmo quando não entendemos completamente Seus propósitos e métodos.

 

AMIZADE NO CASAMENTO

TEXTO:Tenham por todos os mesmo cuidados. Não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes. Que nenhum de vocês fique pensando que é sábio!; E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis, (Rm 12.16; 1Pd 3.8 “ARC”).


I - TER RESPEITO PELO OUTRO

O respeito mútuo é um elemento fundamental para fortalecer a amizade no casamento e manter um relacionamento saudável. A Bíblia nos orienta sobre como demonstrar respeito tanto para o marido quanto para a esposa.

a) Tratar bem a esposa: A Palavra de Deus exorta os maridos a tratarem bem suas esposas. Efésios 5.28 destaca a importância do amor do marido por sua esposa, equiparando-o ao amor pelo próprio corpo. Colossenses 3.19 complementa essa orientação, instruindo os maridos a amarem suas esposas e evitarem irritação contra elas.

b) Tratar bem o esposo: Da mesma forma, as esposas são instruídas a tratar bem seus esposos. Efésios 5.22 enfatiza a importância da submissão da esposa ao marido, como ao Senhor. Gênesis 3.16 também menciona a relação de submissão da mulher ao homem. A Bíblia destaca que a esposa deve obedecer ao marido, conforme Colossenses 3.18.

É importante ressaltar que o respeito mútuo no casamento é essencial para que as orações sejam ouvidas por Deus. 1 Pedro 3.7 adverte os maridos a tratarem suas esposas com cuidado e respeito, reconhecendo-as como o sexo mais frágil. O versículo continua enfatizando que, se não houver respeito, as orações podem ser impedidas.

1 Coríntios 7.14 ressalta ainda que a relação de respeito no casamento tem implicações até mesmo na santidade dos filhos, mostrando a importância do ambiente familiar para a vida espiritual da família.

Portanto, o respeito mútuo no casamento não apenas fortalece o relacionamento entre marido e esposa, mas também tem implicações espirituais significativas para toda a família.

 

II - A PRENDA A CUIDAR UM DO OUTRO

a) Faça sua parte: A Bíblia nos ensina a praticar a reciprocidade nas relações. Mateus 7.12 nos orienta a fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem por nós, pois essa é a essência da lei e dos profetas.

b) Valorize seu cônjuge como uma joia preciosa: Provérbios 18.22 nos mostra que encontrar uma esposa é uma bênção e um sinal do favor de Deus. Este versículo ressalta a importância e o valor da esposa na vida do marido. Cantares de Salomão 2.3 destaca o desejo e a doçura da presença do cônjuge amado.

c) Cuide de seu cônjuge em todas as áreas:

Sexualidade: 1 Coríntios 7.3-5 enfatiza a importância do cuidado mútuo e do respeito no contexto da intimidade conjugal. A passagem destaca a necessidade de consentimento mútuo e equilíbrio na vida sexual do casal, evitando a privação ou a exploração do outro. É importante observar as reclamações comuns feitas por esposas e maridos em relação à vida sexual, destacando a importância da comunicação e do equilíbrio emocional e espiritual nessa área.

Afeto e carinho: Provérbios 5.19 exorta os cônjuges a se deleitarem um no outro e a encontrarem atração mútua no amor. O carinho e afeição são aspectos essenciais para fortalecer o vínculo entre o casal.

Com os filhos: A Bíblia nos lembra da importância de cuidar e educar os filhos de maneira adequada. Salmos 127.3,5 ressalta que os filhos são herança de Deus e que é uma bênção tê-los. Provérbios 22.6 destaca a responsabilidade dos pais em instruir seus filhos no caminho correto, garantindo uma base sólida para sua vida futura.

Portanto, cuidar um do outro no casamento envolve respeito, valorização mútua, atenção às necessidades emocionais, físicas e espirituais do parceiro, bem como o cuidado e a responsabilidade na criação dos filhos. Esses aspectos são essenciais para fortalecer o vínculo matrimonial e manter um relacionamento saudável e amoroso.

 

III – PERDOAR UM AO OUTRO

O perdão mútuo desempenha um papel crucial na manutenção da saúde espiritual e emocional do casamento.

  • Cuidado contra a amargura: Hebreus 12.15 nos adverte a não permitir que a amargura se enraíze em nossos corações, pois ela pode causar perturbação e prejudicar muitos na vida espiritual. Devemos vigiar e cuidar uns dos outros para evitar que a amargura se estabeleça.
  • Prática do perdão: Lucas 6.37 nos ensina que devemos perdoar para sermos perdoados. Efésios 4.32 nos exorta a sermos benignos, misericordiosos e a perdoar uns aos outros, assim como Deus nos perdoou em Cristo. Colossenses 3.13 reforça a importância do perdão mútuo, destacando que devemos perdoar como o Senhor nos perdoou.

É essencial manter as linhas de comunicação abertas e estar disposto a assumir a responsabilidade por nossos erros. Pedir perdão e expressar amor são passos cruciais para restaurar a amizade e o relacionamento conjugal. Deus responde às nossas súplicas de perdão e restaura nossa comunhão quando humildemente confessamos nossos erros.

A disposição para reconhecer nossos erros, pedir perdão e buscar a restauração do relacionamento é fundamental para evitar conflitos e promover a harmonia no casamento. Devemos ser participantes ativos na prática do perdão mútuo, agindo de acordo com os princípios da Palavra de Deus.

CONCLUSÃO: Devemos ser praticantes da Palavra e não apenas ouvintes, como nos lembra Tiago 1.22. Assim, ao aplicarmos os ensinamentos bíblicos sobre o perdão e o cuidado mútuo em nosso casamento, estaremos fortalecendo nosso relacionamento e testemunhando o amor e a graça de Deus em nossas vidas.

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QUAL FOI O SIGNIFICADO DE JESUS AO DIZER ESTA GERAÇÃO NÃO PASSARÁ

Mateus 24:34:Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram.” 

A interpretação da passagem de Mateus 24:34, onde Jesus menciona "esta geração", tem sido objeto de intenso debate entre estudiosos da Bíblia, com diferentes opiniões sobre seu significado exato. Alguns argumentam que se refere à geração que testemunhará os eventos finais, enquanto outros interpretam de maneira mais simbólica.

Para muitos, a interpretação literal desse ditado como uma referência ao Segundo Advento de Cristo é considerada difícil de aceitar, especialmente considerando que Jesus o teria proferido apenas alguns dias antes de sua prisão e execução. No entanto, a autenticidade dessa narrativa tem sido questionada, levando alguns a sugerir que o discurso pode ter sido atribuído a Jesus por profetas na igreja primitiva.

Essa perspectiva é reforçada pela análise de Rudolf Bultmann, que interpretou o discurso de Marcos 13:5-27 como "um apocalipse judeu com edição cristã", indicando uma possível origem não diretamente associada ao Jesus histórico.

Outros estudiosos do Novo Testamento, mesmo aqueles que rejeitam a ideia de que Jesus poderia ter se enganado, estão convencidos de que a referência é para seu glorioso Advento. Eles argumentam que, se "todas essas coisas" indicam os eventos que levam ao Advento e ao próprio Advento, então "esta geração" deve ser entendida como a geração contemporânea de Jesus.

No entanto, exploram-se outros significados da palavra grega "genea" (traduzida como "geração" aqui) em certos contextos. Embora às vezes possa significar "raça", a ideia de que se refere à raça humana como um todo é questionável, pois implica que os seres humanos estarão presentes para testemunhar os eventos finais. Além disso, não há evidências no Novo Testamento de que a raça judaica desaparecerá antes do fim do mundo.

Em última análise, a interpretação de "esta geração" permanece um ponto de debate, com diferentes teorias buscando compreender o significado desse enigmático pronunciamento de Jesus sobre os eventos futuros.

A interpretação de "esta geração" como a geração contemporânea de Jesus, que estaria viva no momento em que Ele estava falando, é uma tentativa de conciliar a referência ao Segundo Advento com a ideia de que Jesus não cometeu um erro em sua previsão. No entanto, essa interpretação pode ser questionável quando consideramos o contexto histórico e o uso da expressão "esta geração" por Jesus em outros contextos.

Ao analisar como a expressão teria sido compreendida pelos ouvintes originais de Jesus, é importante observar que "esta geração" geralmente se refere à geração presente, sem limitar-se apenas às pessoas vivas em um momento específico. Jesus usou essa expressão várias vezes de maneira crítica para descrever a incredulidade e a indiferença de seus contemporâneos.

Ao comparar a geração de Jesus com a geração dos israelitas no deserto, vemos que ambos os grupos foram rotulados como "esta geração" devido à sua recusa em aceitar a palavra de Deus. Isso sugere que a expressão "esta geração" não se refere apenas a uma faixa etária específica, mas sim ao caráter espiritual e moral daqueles que vivem em determinado período de tempo.

Além disso, se Jesus estivesse se referindo à geração do tempo do fim, teria sido mais natural usar a expressão "aquela geração" em vez de "esta geração". O contexto da pergunta dos discípulos sobre a destruição do templo sugere que "todas essas coisas" se referem aos eventos que levariam à destruição do templo, e não necessariamente ao Segundo Advento.

Portanto, interpretar "esta geração" como a geração contemporânea de Jesus parece ser consistente com o uso que Ele fazia da expressão em outros contextos e com o contexto histórico da passagem. Isso ajuda a entender melhor a mensagem que Jesus estava transmitindo aos seus discípulos naquele momento específico.

A interpretação de "esta geração" como a geração contemporânea de Jesus, que estaria viva no momento em que Ele estava falando, é reforçada pelo contexto histórico e pela compreensão da expressão "esta geração" em outros trechos das Escrituras. Quando consideramos que "todas estas coisas" se referem à destruição do templo e aos eventos relacionados discutidos na pergunta dos discípulos, fica claro que o ditado duro resume a resposta à pergunta deles.

A profecia de Jesus sobre a destruição do templo se cumpriu em 70 d.C., quando os romanos sob o comando de Tito destruíram o templo de Jerusalém. Esse evento ocorreu dentro de um período de cerca de 40 anos após Jesus ter feito essa afirmação, o que é consistentemente descrito como uma geração na linguagem bíblica. A referência à "geração perversa" que peregrinou no deserto por 40 anos no Salmo 95:10 também sustenta essa ideia.

Ainda que Jesus tenha predito a destruição do templo, é importante observar que Ele também mencionou sua vinda nas nuvens com grande poder e glória. Alguns interpretam isso como uma descrição figurativa do juízo divino durante o cerco romano e a destruição de Jerusalém, mas essa interpretação pode ser questionável. A incerteza quanto ao momento exato da vinda do Filho do homem é ressaltada por Jesus, que declarou que apenas o Pai sabe o dia ou a hora desse evento.

As diferenças nos relatos de Marcos, Lucas e Mateus refletem as diferentes perspectivas e propósitos dos evangelistas ao escreverem seus evangelhos. Enquanto Marcos enfatiza a proximidade da destruição do templo, Lucas destaca o destino de Jerusalém, e Mateus distingue claramente entre a destruição do templo, já ocorrida, e a vinda futura do Filho do homem. Essas nuances nos evangelhos contribuem para uma compreensão mais completa do discurso de Jesus sobre esses eventos.


 

JEREMIAS OU ZACARIAS EM MATEUS 27.9

Tema: Jeremias Ou Zacarias Em Mateus 27.9

Segundo o livro A Bíblia Responde. A aparente discrepância entre a citação de Mateus 27.9, que atribui a profecia a Jeremias, quando na verdade foi proferida por Zacarias, tem sido objeto de várias teorias interpretativas ao longo dos tempos.

1.     Erro de Memória: Alguns sugerem que o autor citou de memória e cometeu um pequeno equívoco ao atribuir a profecia a Jeremias em vez de Zacarias.

2.     Livro Apócrifo de Jeremias: Orígenes propôs a ideia de que a passagem poderia estar em algum livro apócrifo atribuído a Jeremias. Jerônimo encontrou uma referência em um livro apócrifo, mas interpretou essa referência como sendo de Zacarias. No entanto, essa teoria não resolve completamente o problema.

3.     Supressão da Passagem: Eusébio sugeriu que a passagem poderia ter sido suprimida pelos judeus de todas as cópias dos escritos de Jeremias devido à sua conexão com a história de Jesus. No entanto, não há evidências para apoiar essa teoria.

4.     Lapso de Memória com Explicação Teológica: Agostinho e outros teólogos modernos concordam com a ideia de um lapso de memória, mas essa explicação levanta questões sobre a inspiração divina da Escritura Sagrada.

5.     Paráfrase Intencional: Uma explicação mais provável é que Mateus fez uma paráfrase da profecia de Zacarias, baseada em Jeremias 32.6-9, para enfatizar o sentido original da profecia ou para explicar mais completamente suas implicações. Nesse sentido, Mateus pode ter usado o material básico de Jeremias e produzido a citação que encontramos em seu evangelho, não como um erro, mas como uma forma de elucidar o significado da profecia.

Essas teorias oferecem diferentes perspectivas sobre como explicar a aparente discrepância entre a citação de Mateus e a profecia original de Zacarias. (Diversos, 1983, pp. 23,24)

O comentário bíblico da bíblia anotada aponta que a atribuição da profecia a Jeremias em Mateus 27:9 é devido ao fato de que, na época de Jesus, os livros dos profetas eram iniciados com o livro de Jeremias, não com Isaías como é comum hoje em dia. Portanto, a citação é identificada pelo primeiro livro do volume, e não pelo nome do autor específico do livro em questão. Isso significa que quando Mateus menciona "por intermédio do profeta Jeremias", ele está se referindo ao primeiro livro dos profetas no cânon hebraico, que era o livro de Jeremias.

Essa prática de identificar a profecia pelo primeiro livro do volume também é observada em Lucas 24:44, onde "Salmos" é mencionado, mas inclui todos os livros conhecidos como "Escritos", por ser o primeiro livro do grupo.

Portanto, a atribuição a Jeremias em Mateus 27:9 não é necessariamente um erro, mas sim uma convenção de identificação baseada na organização dos livros proféticos na época de Jesus. (Bíblia, 1994).

Bibliografia

Bíblia. (1994). CharlesCaldwell Ryrie. SP: MC.

Diversos. (1983). A Bíblia Responde. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus.