Nesta ilustração, o leitor terá uma noção clara de como a glória de Cristo encherá toda a terra. Os continentes se reunirão em torno de Jerusalém, e a Jerusalém Celeste permanecerá como um satélite acima da Jerusalém terrestre. Assim, a glória de Cristo, que habita no interior da cidade, irradiará e encherá toda a Terra.
A Igreja, representada como a Rainha, estará ao lado de Jesus Cristo. A Esposa e o Esposo reinarão juntos sobre a terra. Como está escrito em Lucas 19.17-19: “E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade. E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades”.
E ainda: “E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Apocalipse 5.10). Veja também 2 Timóteo 2.12 (NTLH): “Se continuarmos a suportar o sofrimento com paciência, também reinaremos com Cristo”.
Durante o Milênio, a Igreja estará com Cristo em um estado glorificado e espiritual. Como declara o apóstolo João: “Vede quão grande amor o Pai nos tem concedido, que fôssemos chamados filhos de Deus; e somos. Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é” (1 João 3.1-2).
Paulo complementa: “O qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo de glória” (Filipenses 3.21).
Nesse período, a criação será liberta da escravidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Romanos 8.21). Os salvos ressuscitados terão corpos glorificados, imateriais, semelhantes aos que Moisés e Elias possuíam quando apareceram no monte da transfiguração (Lucas 9.30-31). Eles não estarão mais sujeitos às limitações físicas atuais. Como Jesus prometeu: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14.2).
Durante o Milênio, a casa de Deus estará nos céus, mas será visível da Terra por causa da intensa glória da manifestação do Senhor. Paulo afirma que “a nossa pátria está nos céus” (Filipenses 3.20), e Abraão aguardava “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11.10). O apóstolo João descreve essa cidade em toda a sua glória, beleza e grandeza espiritual (Apocalipse 21). Seu tamanho ultrapassa qualquer medida humana, e sua riqueza e gozo são essencialmente espirituais (Efésios 1.18).
Na cidade de Deus não haverá fadiga, envelhecimento ou qualquer limitação desta vida presente. Seus habitantes não terão desejos sexuais, pois serão “como os anjos nos céus” (Mateus 22.30). Aqueles que ainda possuírem corpos terrenos, porém, continuarão com as características naturais da vida humana.
Os ressuscitados poderão se misturar livremente com os que ainda vivem em corpos naturais durante o Milênio, sem qualquer dificuldade. Embora haja pouca informação bíblica sobre a alimentação dos corpos ressurretos na cidade de Deus, a Escritura menciona a existência de banquetes. É possível que os glorificados se alimentem de alimentos celestiais ou até das mesmas comidas dos habitantes da terra, assim como o Senhor Jesus fez após a ressurreição, quando comeu com os discípulos no caminho de Emaús (Lucas 24.13-32) e à beira do mar de Tiberíades (João 21.1-14).
De acordo com 1 Coríntios 6.2, a Igreja terá autoridade para julgar ao lado de Cristo. Os apóstolos ocuparão lugar de destaque nesse governo (Lucas 22.28-30; Mateus 19.27-28).
Os judeus, por sua vez, receberão o cumprimento das promessas materiais feitas aos seus pais. Israel gozará de grande prosperidade e paz, conforme descrito em Isaías 11.6-10, Zacarias 8.3-7 e Isaías 65.20-25. O Milênio é especialmente prometido a Israel. O povo judeu possuirá toda a terra que foi prometida aos patriarcas (Gênesis 15.18; 17.7-8) e será reconhecido como cabeça das nações (Zacarias 8.23). A promessa de Deuteronômio 28.13 (“O Senhor te porá por cabeça, e não por cauda”) refere-se a Israel e será cumprida literalmente nesse período.
Os gentios que não receberam a marca da Besta também participarão das bênçãos do reino do Messias (Apocalipse 20.4), embora a prioridade continue sendo dos judeus, tanto nas bênçãos quanto nos juízos (Romanos 2.9-10).
O templo será reconstruído durante o Milênio, conforme indicado em Ezequiel 40–48 e profetizado em Isaías 44.28. Alguns intérpretes acreditam que Davi será coroado como príncipe sobre Israel (Ezequiel 34.23-24; 37.24-25; Jeremias 30.9; Oséias 3.5), atuando como regente sob a autoridade suprema de Cristo. Outros entendem que essas passagens se referem diretamente ao Messias, o Filho de Davi.
Para aqueles que ainda viverem em corpos naturais, haverá grande abundância e bonança no reino do Messias. Um rio de águas vivas sairá do templo, fluirá para o oriente e descerá até o mar Morto, transformando suas águas salgadas em águas doces (Ezequiel 47.8-9). Esse mesmo rio é semelhante ao descrito em Apocalipse 22.1-2. Às suas margens crescerão árvores que darão fruto todos os meses, cujas folhas servirão de remédio (Ezequiel 47.12).
Não haverá mais cegos, coxos, surdos ou mudos: “Então se abrirão os olhos dos cegos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. O coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará” (Isaías 35.5-6). O rio trará vida por onde passar, transformando a terra de Israel em um verdadeiro jardim paradisíaco.
Haverá perfeita harmonia entre os animais: “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um menino os guiará” (Isaías 11.6-8). A maldição que pesava sobre a criação será removida.
A terra, antes amaldiçoada por causa do pecado (Gênesis 3.17), será restaurada. O mar Morto produzirá grande quantidade de peixes, e haverá fartura de alimentos por toda parte. Não haverá mais fome, pragas, enchentes ou terremotos devastadores. A produção agrícola será tão abundante que não haverá necessidade de agrotóxicos. Os homens viverão muitos anos: “Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o jovem morrerá de cem anos, e o pecador de cem anos será amaldiçoado” (Isaías 65.20).
No início do Milênio, a população masculina será bastante reduzida devido aos juízos anteriores. Porém, com o tempo, a população crescerá rapidamente, conforme a promessa: “O menor virá a ser mil, e o mínimo, um povo grandíssimo” (Isaías 60.22).
O conhecimento do Senhor será universal: “A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11.9). Deus mesmo ensinará os povos, e muitos subirão a Jerusalém para aprender os seus caminhos (Isaías 2.3). De ano em ano, os sobreviventes das nações subirão para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e celebrar a Festa dos Tabernáculos (Zacarias 14.16).
As famílias que se recusarem a subir a Jerusalém para adorar não receberão chuva sobre suas terras (Zacarias 14.17-18). No final do Milênio, quando Satanás for solto por um breve período, essa desobediência se manifestará novamente.
Nesse período também serão observadas algumas das festas bíblicas, conforme descrito em Ezequiel 45–46. Serão mantidas a Páscoa, os Pães Asmos, o Ano Novo e a Festa dos Tabernáculos, enquanto outras festas do calendário levítico não são mencionadas, indicando possível mudança no enfoque espiritual da era milenar.
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